quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Entre panetones e beijos

Com o escândalo dos panetones, o que me intriga é que sempre nos limitamos a nos indignar com os escândalos mais recentes. E se o esquema não vem à tona, sem a ajuda de câmeras escondidas, fingimos que nada de errado está acontecendo. Exemplo disso são os absurdos ocorridos na era Ror...
E se ele voltar? Aquele que rifou o Distrito Federal, num populismo cara-de-pau que distribuiu terras sem dar a mínima infra-estrutura de saneamento, sem criar empregos, sem investir em serviços públicos, superfaturando cada viaduto e comprando votos com tijolos e camisetas.
Epa, será que descrevi toda uma classe de homens públicos? Não, falava apenas de um cujos lucros só ajudo a aumentar, comprando seus laticínios, por pura falta de opção...
Volto aos panetones - aliás, não comi nenhum este ano, por estar de dieta... claro que, na dúvida, armazenei uma unidade para quando puder provar. Mas me comprometi a combater excessos: convidarei pessoas para comer o panetone comigo.
Entre panetones e beijos, o cidadão comum vive um caso de amor com a política, mas no papel de mulher traída. Em nosso país, infelizmente não existe educação política para conscientizar o povo do jogo existente por trás dos panetones e meias recheadas.
Infelizmente o que dita as regras do jogo são os acordos tácitos, as coalizões, as trocas de favores, os favorecimentos e imunidades proporcionados pela vida pública.
Homens públicos, que realmente pensam no coletivo, são poucos e são rechaçados e perseguidos pela maioria.
Se estiver pensando em iniciar nova carreira ou abrir um negócio, fica um conselho: abra uma fábrica de panetones ou de informática. Resista à tentação de entrar para a política. Apesar dos ganhos certos, o preço que se paga é muito alto e os valores éticos são no mínimo questionáveis.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Fila dupla nas comerciais de Brasilia

É uma verdadeira merda não ter onde estacionar. Brasília não tem mais vagas. Os lojistas estacionam na frente das lojas e as vagas para o público que vai comprar ficam ocupadas o dia inteiro. Não há rotatividade.

Bem, há soluções simples simples, como a sugerida pelos guardas de trânsito: se você tiver alguém para ir com você, largue-o(a) na loja e fique dando voltas com o carro até que a pessoa volte da loja. Se você estiver sozinho, esqueça.

Antes, achava que poderia parar e ficar no volante enquanto alguém que estivesse comigo ia na loja comprar algo - isso sempre funcionou e nunca demorou mais do que alguns minutos. Também nunca representou transtorno para ninguém visto que é possível deslocar o carro se necessário. Também achava que resolvia se eu ligasse na loja e pedisse que a mercadoria me fosse entregue no carro. Acompanhada, sempre fui altruísta a ponto de não parar numa vaga, para deixá-la para quem estivesse sozinho e não pudesse deixar o carro na fila dupla. Ledo engano. Segundo os guardas, parar significa apenas fazer o embarque e o desembarque instantâneo de pessoas. Se você espera alguns minutos no volante, não está parado, está estacionado!

Que multem e guinchem os descansados e mal educados que largam o carro trancando as pessoas que estacionam nas vagas. Mas que sejam sensatos e respeitem quem é sério e quer apenas comprar pão. É a síndrome da era do 0800, que faz tratarem todo mundo como deveriam tratar apenas ignorantes, contraventores e bandidos. A partir do comportamento errado de uns, tratam mal a todos.

Fica cada dia mais impossível comprar nas comerciais das quadras. Daqui a algum tempo, desisto de ter carro. Quem sabe um dia desista de morar em Brasília... Por ora, desisto de entender a interpretação equivocada e a burrice na aplicação de certas leis.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Distração incendiária

Hoje eu estava especialmente perigosa. Um dia atrás, acometida por uma inflamação no nervo ciático, apelei para minha massagista, que está em plena licença-maternidade, para que me socorresse.

Após uma sofrida mas gostosa sessão de apertos e esfregões, ela me aconselhou a colocar compressa quente. Obedeci e, à noite, fui deitar com uma almofada térmica trazida da Alemanha há cerca de 10 anos. Foi ótimo.

Melhor das dores mas ainda me sentindo moída, resolvi repetir a dose hoje à tarde, enquanto assistia televisão. Como era dia de faxineira, liguei a tal almofadinha na cama do quarto para esquentar e fui até a sala passar alguma instrução.

Ao voltar para o quarto, demorei ainda alguns segundos para entender o que acontecia: uma nuvem de fumaça tomava conta do cômodo. Era a almofadinha que estava pegando fogo e começava a atingir a colcha da cama! Meu reflexo foi desligá-la imediatamente da tomada e depois correr para tentar salvar a colcha e a cama.

Felizmente deu tempo de evitar uma tragédia. A colcha ficou apenas chamuscada, passando também para o lençol. Minha sorte foi que a almofadinha não chegou a ficar em chamas, apenas queimou devido ao curto-circuito em sua resistência, que parou quando desliguei o fio.

O ciático continua doendo mas antes empenada que torrada...

Sopa desidratada...

Como minha geladeira tem um congelador pequeno, um dia desses resolvi fazer um panelão de sopa e levar diversos potes para o apartamento de minha avó, que tem um grande freezer.

Entrei numa dieta para reaver minhas roupas, que há algum tempo vinham “encolhendo”, e passei a substituir refeições antes compostas por macarrões, risotos e sanduíches pelo tal sopão.

Além da sopa, restringi o consumo de doce a frutas. Ao imaginar “aquele” brigadeiro, comecei a traçar dulcíssimas peras, pinhas e caquis. Frutas muito doces e calóricas mas o efeito psicológico de comer frutas é muito importante nessa privação a longo prazo.

Nos momentos mais difíceis, ainda resistindo sem comer carboidrato, mandei ver salsicha com ovo, bifes, atum, sardinha, fingindo fazer a dieta da proteína. Não sei se o fígado gostou da brincadeira mas senti minhas roupas mais folgadas.

Um mês depois de abolir o carboidrato, contei quase quatro quilos a menos, uma vitória para quem não fez exercícios físicos no período. Bem que tentei: nos primeiros dias, levantava de madrugada, ainda escuro, caminhava cerca de uma hora e, ao voltar, fazia 100 abdominais. A falta de comida foi me deixando deprimida e, na segunda semana, não consegui mais acordar. Ainda tentei o squash, pois apenas esportes dinâmicos e de grande impacto me agradam. A fome de bola (e de doces e massas possivelmente) foi tanta que consegui distender o pulso ainda no aquecimento do primeiro dia de jogo e, em seguida, o ombro começou a doer.

Pessoas sedentárias devem ter cuidado ao voltar à ativa. Agora com menos peso, estou ensaiando a volta, mas acho que buscarei aconselhamento profissional para não me machucar.

Voltando à sopa, hoje, em meu segundo dia de férias, ainda controlando a noturna boquinha nervosa, desci com meu cachorro e, toda animada, caminhei em direção à casa da vovó para pegar mais um pote. “Não, um é pouco. Legumes não engordam, vou pegar dois potes de sopa e tomar tudo sozinha”, pensei.

Feliz da vida, coloquei os dois blocos congelados numa panela grande, com um pouco de água, tampei e fui arrumar a casa enquanto esperava. O celular tocou e um colega meu começou a conversar tão animadamente comigo que só fui me dar conta de que algo estava queimando quando a nuvem de fumaça tomou conta da cozinha!

“Minha sopa tá queimando!”, gritei logo despachando meu colega.

O fundo da panela ficou preto, mas ainda pude salvar a camada superficial daquela massa compacta de legumes. Como sempre gostei da raspa de suflês, abstraí o incidente e comi aquilo com grande apetite, convencida de que acabara de reinventar o tal sabor artificial de fumaça utilizado no molho barbecue daquela rede de lanchonetes mundialmente famosa. E o meu era natural!!

Meus dois potes de sopa viraram meio prato de legumes desidratados e o regime foi mais radical do que planejado. O que salvou foi o caqui de sobremesa...

domingo, 10 de maio de 2009

O silêncio dos culpados

“O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem caráter, nem dos sem moral. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons".

Martin Luther King

O barulho vem de onde? até que horas vão as festas, as baladas debaixo de nossas janelas? quem se diverte não dorme? e quem não dorme o que faz para trabalhar no dia seguinte? e o que faz os pais acharem que o melhor lugar para seus filhos é na rua, onde não podem incomodá-los mas onde acabam incomodando terceiros?

Sugiro romper o silêncio, fazer barulho de dentro pra fora, ou seja, reclamar de quem nos perturba e não engolir como os jornalistas de botequim propõem em suas colunas de jornal sem assunto. Por que não falam de violência, não dão ideias para enfrentarmos problemas sociais, não sugerem alternativas para o crime, o vício? Por que insistem em criticar os bons, quando estes ousam admitir que estão incomodados com a baderna na vizinhança?

E os jovens (as a matter of fact, também sou jovem, gosto de beber, me divertir com amigos, celebrar a vida), além do barulho, fazem muita sujeira. Vejam o cenário no dia seguinte: garrafas, latas, embalagens de comida, papeis, até camisinhas (pelo menos alguns se protegem...). Não conhecem lixeiras e nem se dignam recolher a sujeira que fazem.

O governo peca em não investir em campanhas educacionais para promover os bons modos, a limpeza das ruas. A falta de educação é generalizada, não é privilégio de uma ou outra classe social. Tudo isso é sinônimo de egoísmo, vê-se apenas o próprio umbigo, a própria satisfação, o agora, o fácil, o menos trabalhoso, o mais transgressor, o "foda-se".

Preocupa-me ver os bons resignados ou indiferentes, ver a exceção da podridão e da selvageria virarem regra. O silêncio, nesse caso, implica em concordância e beira a cumplicidade.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Boatos cibernéticos - chequem suas fontes!!!

Recebemos todos os dias e-mails assustadores dizendo para ter cuidado com isso, com aquilo, que isso dá câncer, aquilo causa impotência. Enfim, todo tipo de bobagem que se pode imaginar.

Se a própria ciência ora diz que ovo faz mal, ora se retrata e diz que não é bem assim, devemos analisar qualquer nova informação com olhos de quem está acostumado com novas descobertas que enfraquecem verdades até então absolutas. Mas o tema aqui são os boatos.

Os boateiros da internet, para parecerem mais sérios, chegam a colocar nome, cargo, instituição e até telefones fictícios como fonte da informação.

As mensagens são correntes de alarde, algumas com algum teor verídico mas a maioria sem sustentação científica ou oficial.

Considero falsidade ideológica inventar um nome para validar algo cuja procedência é ao menos duvidosa. Irresponsável.

Amigo(a), pense duas vezes antes de encaminhar essas bobagens a outras pessoas. Além de fazer as pessoas perderem tempo, estamos semeando uma nova forma de mal: o boato cibernético.

A legislação e os controles tecnológicos terão que evoluir muito para conseguir detectar a origem desse mal, de onde saiu o primeiro e-mail. Um dia teremos que punir pessoas mal intencionadas que acabam influenciando mudanças de comportamento e hábitos que podem nem ser saudáveis. Sem contar os que se apropriam de nomes reputados para enviar textos que acharam bonitos, como forma de chamar a atenção e fazer o destinatário ler sua mensagem.

Blogueiros, jornalistas, chequem as fontes!!! Um exemplo abaixo:

NOTA DE ESCLARECIMENTO


Tem sido propagado na Internet um texto sobre CANOLA atribuído à Universidade Federal de Lavras (UFLA) cujo título é: "ÓLEO DE CANOLA – A perfeição humana da canola – A planta que Deus não criou! Por: Luiz Antônio Caldani – Universidade Federal de Lavras MG". Basta uma simples pesquisa em sites de busca, como o Google, por exemplo, com o título ou palavras relacionadas para verificar que ele aparece em vários sites.

A esse respeito, a Universidade Federal de Lavras tem o seguinte a declarar:

1 - Esse texto foi colocado no portal de nosso "Curso de Pós-graduação Lato Sensu em Bioética" por uma pessoa totalmente estranha a esta Universidade, de nome Luiz Antônio Caldani. O portal foi criado, entre outras, com a finalidade de servir como instrumento interno de debate entre os alunos do curso. Infelizmente, como quase tudo que "cai" na internet, o texto assinado por esta pessoa, já foi postado em diversos sites sempre citando "Extraído do site da Universidade Federal de Lavras – MG – (UFLA)", para ganhar mais credibilidade.

2 - Uma vez que esse texto foi colocado por uma pessoa sem qualquer vínculo profissional com a nossa Universidade, as suas opiniões não refletem a posição da UFLA. Não obstante a liberdade de expressão de nossos alunos em sites de vinculação restrita, e com senha para acesso, este texto mostra claramente o mau uso desta liberdade, uma vez que esta pessoa nem mesmo é aluno do referido curso.

3 - É importante esclarecer que a UFLA sempre se pautou, nos seus 100 anos de existência, com a responsabilidade ética de publicar textos técnicos baseados em pesquisas cientificas, dentro dos mais rígidos princípios da experimentação e, neste caso, nenhum professor desta Instituição pesquisou a canola com tais objetivos.

4 – Depois de uma análise do texto por professores ligados à área foi constatado que o seu conteúdo não apresenta evidências técnicas experimentais, o que anula a sua validade científica. Além do mais, deseduca o leitor e, por ser tendencioso, pode ter sido escrito com finalidades ideológicas não confessadas.

5 – Pelo exposto, a Universidade Federal de Lavras rechaça veementemente texto desta natureza, ainda mais sem fundamentação científica.

Fonte: http://www.posgraduacao.ufla.br/bet/modules.php?name=News&file=article&sid=49




O BOATO PROPAGADO E INCLUSIVE PUBLICADO EM DIVERSOS BLOGS:

Extraído do site da Universidade Federal de Lavras - MG - (UFLA):
http://www.posgraduacao.ufla.br/bet/modules.php?name=News&new_topic=2

(APARENTEMENTE O SUJEITO, QUE NÃO É CONHECIDO NA UNIVERSIDADE, ENTROU NO BLOG DA POS-GRADUAÇÃO DA UFLA E POSTOU SUA TESE, QUE FOI A PARTIR DAÍ ESPALHADA PELA INTERNET)

A canola é mais uma destas histórias atuais, que mostram como a ciência,
afastada do comum das pessoas, se torna cúmplice de atitudes públicas, que
podem ser perigosas para a saúde coletiva.

Em primeiro lugar, é preciso estabelecer a seguinte questão: o que é
canola, que, afinal, nem consta nas enciclopédias (Comptons e Encarta de 96)?
Vejam só: Canola é novo nome de um 'tipo' de Colza.
Colza é uma planta da família das brássicas - Brassica campestris.
Portanto a colza é um 'tipo' de mostarda que foi ou é a mesma planta
utilizada para a produção do agente mostarda, gás letal usado de forma
terrível nas Guerras Mundiais.

O óleo de colza é muito utilizado como substrato de óleos lubrificantes,
sabões e combustíveis, sendo considerado venenoso para coisas vivas: ótimo
repelente (bem diluído) de pragas em jardins. Este poder tóxico é
proporcionado pela alta quantidade de ácido erúcico contido no óleo. O
óleo de colza tem sido usado de forma alimentar no Extremo Oriente, na
forma não refinada, e contrabalançada com uma dieta rica em gordura
saturada, o que evitaria seus graves efeitos tóxicos.

No entanto, no ocidente, o objetivo era produzir um óleo com pouca gordura
poliinsaturada, e boa quantia de ácido oléico e ômega-3. O óleo de oliva
tem estes predicados, mas sua produção em larga escala é
dispendiosa.

Aí entram em cena empresas de 'ótimas intenções', como a Monsanto, e
produz uma variação transgênica da colza. Para evitar problemas de
marketing, usa o nome CAN - OLA (Canadian low oil - ou óleo canadense).
Isto mesmo: CANOLA é absolutamente transgênica. Sua comparação aos
benefícios do óleo de oliva não passa de uma estratégia de venda: o óleo
de oliva é bem mais caro, mas o de canola é mais caro do que os outros
óleos, apesar de ser de produção baratíssima! Bom negócio, enfim. Bem, se
você não queria usar transgênicos sem seu expresso
consentimento, mas já usou o óleo de canola, talvez até aconselhado pelo
seu cardiologista ou nutricionista, fazer o quê?

Perdemos o direito desta opção quando nos foi retirada toda a
informação. Mas se é tão bom assim como se diz, porque não informar tudo a
respeito?

O óleo de canola está longe de ser tão salutar assim como se alardeia. Se
observarem bem, pode deixar um cheiro rançoso nas roupas, pois é
facilmente oxidado, e seu processo de refinamento produz as
famigeradas gorduras trans (igual problema das margarinas) relacionadas às
graves doenças incluindo o câncer. Produz déficit de vitamina E que é um
antioxidante natural. Observem que os alimentos feitos com canola
embolaram mais rapidamente.

As pequenas quantidades de ácido erúcico, que ainda persistem na planta
alterada (transgênica), continuam sendo tóxicas para o consumo humano, e
esta ação tóxica é cumulativa. Existem relatos de inúmeras outras
enfermidades ligadas à ingestão e até mesmo a inspiração de vapores de
canola (possível vínculo com câncer de pulmão). A canola também ilustra um
jeito de funcionar das megas empresas de biotecnologia.

Em abril de 2002, nos Estados Unidos, o CFS (Centro de Segurança
Alimentar) e o GEFA (Alerta de Alimentos Geneticamente Produzidos) pediram
uma investigação criminal contra a Monsanto e a Aventis mais o
Departamento Americano de Agricultura, que haviam permitido o ingresso
ilegal de sementes de colza modificada para dentro do território
americano antes da aprovação legal desta importação para produção local.

Aqui no Brasil e lá nos EEUU tudo funciona meio parecido. A própria
liberação da canola no território americano contou com estímulo de US$ 50
milhões do governo Canadense para que o FDA (órgão regulador)
facilitasse seu ingresso na indústria alimentar de lá, mesmo sem os
adequados estudos de segurança em humanos.

Enfim, novamente nos defrontamos com uma situação em que a mão do homem
subverte o bom senso entre ciência e saúde, ao que parece porque os
interesses econômicos são muito mais persuasivos que os interesses dos
consumidores.

Mas o pior é que não podemos contar com os meios de informações que
sistematicamente informam o que interesses maiores julgam mais oportuno A
canola, podemos ter certeza, é uma fração pequena do mundo obscuro do
capitalismo científico, que pesquisa fontes de enriquecimento muito mais
entusiasticamente do que as verdadeiras fontes de saúde, vida e paz!

Obrigado por repassar.
Luiz Antônio Caldani
Engº Agrônomo

Extraído do site da Universidade Federal de Lavras - MG - (UFLA)
(O BOATEIRO REPETE A FONTE)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Assassinamos a Igrejinha e a vida em sociedade

Assassinamos a Igrejinha e a vida em sociedade todos os dias

(trechos de uma carta enviada por uma moradora de Brasília ao jornalista Carlos Marcelo, do Correio Braziliense)

Parabéns pelo artigo publicado na edição de hoje (17/01/2009). Sou moradora da SQS 308 desde 1978. Estou entre os poucos que recolhem os dejetos de seus cachorros e, toda vez que empunho o saco plástico em meu dever cidadão, sinto, além de desconforto fruto da timidez, orgulho de passar a mensagem aos que não o fazem. Como voluntária da prefeitura, tento educar os donos de cachorros, mas a turma parece realmente não entender a necessidade de manter os gramados e calçadas limpos. É duro conviver com gente egoísta e preguiçosa ou, falando de modo politicamente correto, deveria dizer: pouco dada ao altruísmo e à civilidade. Existe a lei, falta fiscalização e punição, como para muitas outras contravenções rotineiras praticadas no Brasil.

Falando em contravenção, sobre os moradores de rua, um senhor comentou, no site do Correio, que Jesus vivia rodeado de miseráveis e que a igreja não deveria bani-los. Este senhor certamente nunca viu, pela janela de seu apartamento, um maltrapilho se masturbando ou fazendo sexo a céu aberto. Isso não é crime de atentado ao pudor? Isso com bebês e crianças com eles.

Beber, fazer (muito) barulho durante a noite, sujar o espaço público com garrafas, cacos de vidro, restos de comida, marmitas, papelões que lhes servem de cama – tudo isso causa um mal-estar muito grande na vizinhança. Passe pela Igrejinha desde o incêndio e constate o clima de tranquilidade que ali reina, com policiais instruídos a fazer vigília. Crianças e pessoas de todas as idades estão frequentando o lugar que, pela presença dos arruaceiros e o clima de insegurança que traziam, andava abandonado pela população. Agora quando passo de carro, tenho vontade de parar, sentar nos bancos, bater papo com os vizinhos, curtir um lugar que é de todos e vinha sendo monopolizado e loteado por indivíduos que, coitadinhos, não têm o que comer nem onde morar. Não é bem assim...

Não falamos de pessoas sem-teto mas, como a própria equipe do Correio apurou, de gente que vem acampar aqui em troca de dinheiro, comida e o que mais lhes derem. Os fieis tentam expiar seus pecados distribuindo moedas na saída da missa. Nós todos distribuímos trocados diariamente aos flanelinhas apenas pelo receio de sermos agredidos ao voltar – já somos agredidos se não damos nada. Agora há um desses sujeitos dentro da SQS 209, explorando o estacionamento na residencial próximo à comercial. É o cúmulo!

Se não criarmos já mecanismos de incentivo à formação profissionalizante, moral e cívica dessas pessoas e se não punirmos esse tipo de abuso (leis específicas precisam ser criadas e praticadas), nunca conseguiremos tirá-las das ruas e lhes dar condições dignas de subsistência. Trabalhar pra que quando podem fazer dinheiro sem esforço? Não vejo futuro diferente do Rio de Janeiro se continuarmos nesse jogo de empurra, transferindo a culpa para o governo, delegando a responsabilidade de ações sociais ao terceiro setor, não assumindo a nossa culpa de todos os dias.

Reuniões são feitas com órgãos do governo e representantes da sociedade, mas nunca se vê, presente nessas discussões, gente das áreas de educação, de saúde, do terceiro setor e das igrejas. Educação para criar cursos, dar-lhes noções de civilidade e assim aparelhá-los para encontrar trabalho; Saúde para ensinar-lhes a não ter tantos filhos e a importância de higiene básica e prevenção de doenças; Terceiro setor e Igreja para pararem de defender e de praticar o assistencialismo simplista, que resulta na manutenção do estado de indigência e na inevitável associação da falta de perspectivas ao crime.

Temos que unir esforços, juntar a comunidade – em todas as suas esferas – e estimulá-la a participar do debate a fim de buscar soluções, com o engajamento de todos.

Estou assustada com a postura acomodada de meus vizinhos. Poucos participam com sugestões ou comentários ou dedicam alguns minutos para simplesmente saber mais sobre o que acontece à nossa volta. Muitos, a maioria, critica os poucos que colaboram com a prefeitura da quadra. Resumo da ópera: a culpa é do governo e da prefeitura que não fazem nada. Quase nenhum dono de cachorro (ou empregada ou filho) cumpre seu dever de contribuir para a limpeza da quadra. Quem exige algo de terceiros deve pelo menos fazer a sua parte.