quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Escrito sem IA

Conteúdo escrito por um humano, brasileiro. Não por IA, não por um robô.

Por que achar que todas as universidades federais são antros de promiscuidade, algazarra, comunistas? São instituições com excelentes professores e cursos, onde nem todos conseguem entrar, pois precisa ter boas notas para ingressar. 

Existem faculdades particulares e institutos federais de qualidade para atender quem não entra nas universidades públicas. 

Precisamos sim é de mais programas de bolsas, investimentos privados em pessoas com potencial que não podem pagar cursos privados. Já existe a linha de crédito que empresta dinheiro aos estudantes nessa situação, mas ainda é pouco.

Devemos investir na educação -- do ensino fundamental ao ensino técnico e superior, adequando currículos ao novo cenário mundial, em tempos de IA.

Por que acreditar que o comunismo vai tomar seu apartamento, seu carro, seu dinheiro no banco? Quem fez isso nem era de esquerda, inclusive. 

Se você tem terras, cuide delas. As propriedades ocupadas pela reforma agrária devem ser propriedades improdutivas. Devemos exigir rigor no controle de como isso é feito ao invés de apenas demonizar o MST.

Por que achar que o Brasil vai virar uma Venezuela?Sendo que em sucessivos governos de esquerda isso nem chegou perto de acontecer, pelo contrário, luta-se para proteger nossas reservas naturais, nossa agricultura, nossa indústria, valoriza-se nosso país acima de outros e abre-se cada vez mais para o capital estrangeiro. 

O que precisamos é exigir mais rigor no controle de gastos e maior incentivo fiscal e tributário a produtores rurais e  empreendedores brasileiros, bem como desenvolver pesquisa, fomentar a inovação, investir na educação, na indústria brasileira e na infraestrutura intermodal para reduzir o chamado custo Brasil. E atacar a especulação bancária e os altos juros, que endividam quem não consegue viver com o que ganha.

Por que apostar fichas num candidato limitado (apesar dos diplomas), que representa o extremismo religioso e flerta, de modo cordato e submissivo, com a potência que cobiça nossas riquezas minerais, nosso petróleo? Por que os EUA estariam mandando dinheiro para "defender a democracia", sendo que no fundo o que se percebe são manobras da direita para coibir investigações de corrupção e manipular processos envolvendo simpatizantes ou "colaboradores" daquele país. 
O real interesse norteamericano não é a democracia (haja vista o atual regime de exceção), mas o mercado de armas, os minérios e  lucros que certamente não terão como destino o Brasil.

Amamos o pix e esse sistema está incomodando os EUA, pois está reduzindo o lucro das operadoras de crédito americanas. Queremos que o pix acabe?

Sempre fomos um país pacifista, com tradição na diplomacia internacional como país moderador. Por que flertar com armas? 

Não devemos sobretudo deixar pessoas imaturas emitirem opinião em nome do país, sendo que política externa e multilateralismo exigem estudo, preparo e contexto muito maior do que ideologia partidária e interesses pessoais e particulares. Não é à toa que o curso preparatório para a diplomacia exige tanto estudo.

Devemos sim combater o crime organizado, que inclui as milícias, as organizações criminosas, o narcotráfico, os traficantes de armas, e todos que lavam dinheiro sujo ou dinheiro público desviado. 

Devemos exigir punição severa a todo tipo de crime e agravação de pena para desvio de dinheiro destinado a saúde, segurança e educação.

Devemos exigir automação de processos de pagamentos e contratações públicas, com mais controle, mais agilidade e menos burocracia. Desburocratizar tudo que atrapalha os cidadãos honestos em seus negócios.

Devemos exigir maior rigor na fiscalização da destinação do dinheiro público e cortes severos em verbas de gabinete em todos os níveis (federal, estadual e municipal), assim como reduzir privilégios de ex- presidentes. Principalmente no que diz respeito a luxos, regalias e gastos absolutamente dispensáveis. 

Devemos sim exigir reforma nas estruturas onde há indicação política (acabar com isso), reforma das leis penais para não soltar bandidos recorrentes (de todos os tipos, inclusive do colarinho branco), ampliar, modernizar e tornar o sistema prisional autosustentável.

Devemos exigir reforma e modernização da estrutura fiscal, tributária. Modernização de processos produtivos e de condições trabalhistas, com base em países mais desenvolvidos, com maior PIB, maior renda per capita e melhor qualidade de vida.

Devemos sim exigir reforma política, fim do fundo eleitoral estratosférico que só beneficia alguns, igualdade de oportunidades para quem deseja exercer cargos eletivos e de fato contribuir para a sociedade, e não para quem faz da política sua vida, sua profissão, sua e de seus familiares, criando clãs políticos, eternizados no poder.

Não é demonizando o PT e trazendo o fundamentalismo religioso ao poder que vamos conseguir tudo isso. Mas exercendo nossa cidadania, exigindo do estado posicionamentos mais austeros e modernização de leis e processos. O problema não é o PT, mas o sistema que continuará ruim, mesmo mudando governos. Aliás, você já viu quantos governos de direita e de esquerda o Brasil já teve?

Em nome do horror ao comunismo, estamos querendo colocar em cheque avanços sociais, direitos civis, soberania, e fatalmente iremos  retroceder em aspectos humanos, como sociedade alegre, diversa e harmoniosa que sempre fomos, apesar dos percalços econômicos dos governos de todos os viezes políticos. 

"Em nome de deus", grande parcela da população está fechando os olhos para diversas denúncias e investigações de envolvimento da direita com o crime. Ignoram o fato de que dezenas de políticos do PL já foram cassados pelo país, por diferentes crimes de improbidade. Só isso já desabonaria essa turma.

Tenho amor no coração e não simpatizo com essa direita radical porque ela discursa para despertar e alimentar o ódio e atribui o mal ao outro, com agressividade em cada fala e gesto. Julga e condena moralmente as pessoas, mesmo que suas próprias condutas no foro privado não sejam exemplares como apregoam.

Por uma rede de grupos nos apps e de influenciadores na internet, a direita vem semeando a discórdia e a raiva entre as pessoas, desqualificando e criando ojeriza a pessoas que pensam e agem diferente. Essa doutrinação disfarçada nos vídeos espalhados pelos apps e plataformas, tem tornado a convivência entre os diferentes cada vez mais inviável no seio das próprias famílias que dizem defender.

A candidatura à presidência pelo PL não me representa nem representa pessoas simples, diversas, extratos sociais segregados, marginalizados em cada piada ou fala racista dos representantes dessa ala radical e seus seguidores. 

Eu lamento e me solidarizo quando esses segmentos  são tratados como subraça, com agressividade e menosprezo. Lamento e sofro cada vez que alguém é insultado ou agredido psicológica e fisicamente. Lamento pois também estou na mira dessas falas e não vou me omitir por viver numa bolha protegida.

Meu voto é contra o extremismo e a truculência, que o anticomunismo, o antipetismo, o antilulismo insistem em mascarar. Manipulação consentida. 

É possível ser conservador sem julgar e condenar quem é progressista. O melhor dos mundos é onde todos podem ter opiniões divergentes sem se sentirem ameaçados por justiceiros da moral à solta, batendo e matando diferentes nas ruas - e ficando impunes. Isso não é progresso. É faroeste selvagem.

Acredite na existência da maldade mascarada pelo moralismo (= hipocrisia) e desconfie do que pode estar por trás das falas excludentes, da pregação religiosa e dos jargões envolvendo deus, pátria e família. Isso impressiona e desvia a atenção das reais intenções por trás do púlpito e dos altares.

Torço para que surjam, no futuro, representantes mais dignos do que esses que aí estão para nos oferecer opção no espectro político.

Nada nem ninguém pode estar acima da nossa diversidade e humanidade.

Por mim, por meus filhos e pelos mais fracos, voto, com orgulho e consciência, contra esta direita radical.

 Outubro de 2026

sábado, 26 de setembro de 2026

Por um mundo com mais queijo, e menos ratos!

Não ia postar nada sobre política até ver alguém bem próximo a mim defender voto útil na direita. Se o voto útil for votar em miliciano, de fato, não dá pra me omitir. 

Que país essa gente quer? Violento como Rio de Janeiro? De pernas abertas para interesses externos? Extremista que incentiva violência e segregação de diferentes tipos? 

A direita dos altares e palanques tem raiva e nojinho de pobre, justamente porque vive a defender a prosperidade e o enriquecimento (nem sempre lícito, convenhamos) acima de qualquer coisa. 

Essa ala recente da direita defende o modelo de discurso "família, deus e pátria", sendo que esse lema é forjado em meio a escândalos abafados e crimes a torto e a direito.

Quem é verdadeiramente bom não deveria se sentir ameaçado com a ideia de ascensão social de classes historicamente desfavorecidas, não deveria ter ojeriza e ignorar a necessidade de existir luta de classes, a necessidade de cotas ou outros mecanismos que visam à redução de desigualdades. Porque pra mim parece óbvio: se alguém precisa brigar para ter direitos é porque há direitos sendo cerceados ou negados. 

Quem vive em meio a privilégios e não enxerga a dor e as dificuldades de quem está abaixo (ou à margem) não vai de fato compreender do que se trata. 

Existe fuzuê e bagunça na esquerda sim. Mas existe também trabalho incessante da direita de desmoralizar e desmerecer quem pensa mais à esquerda, quem defende direitos sociais e movimentos progressistas. 

A fábrica de violência moralista aposta no ataque das reputações e promove o terrorismo da moral, condenando tudo à esquerda como anticristão e mundano. 

O pavor com a visão e os valores progressistas cresce, motivado por esse trabalho de endemonização da esquerda como um todo.

Os cidadãos medianos, simpatizantes do tradicionalismo, acabam influenciados pelo falso moralismo e falso patriotismo ultraconservador e não param para enxergar que nunca vão enriquecer como seus ídolos, que cultuam sem questionamento, se distanciando cada vez mais de valores humanos e o que é pior: sem perceberem o tanto que são usados. 

Atacar o outro é querer empurrar goela abaixo que é melhor do que o outro. 
Ataques baixos apenas desviam o olhar de questões mais importantes. 

Existem famílias, fé e amor à pátria na esquerda e fora das igrejas evangélicas.
Mulheres progressistas têm muito mais empatia e compromisso com o coletivo do que mulheres submissas e servis, subjugadas pelos donos do dinheiro e das regras. 

Verdade seja dita: O sistema político e social nunca será igualitário enquanto a maioria masculina conservadora comandar as regras do jogo.

Seguidores manipulados nunca vão compreender que não passam de ovelhas a serviço de um sistema nada justo. 

Há vários recortes nesse sistema: social, racial, socioeconomico, de gênero, religioso. Todos se explicam pela busca cega por poder, status social e dinheiro. 

Nunca se tratou, pois, de amor ao próximo ("deus").

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Já fui assim!

Um menino ensaia os primeiros acordes no violão. Olha um tutorial na internet e me lembra meus tempos de revistinhas de cifras. Eu passava as tardes no violão, no cavaquinho, na gaita ou na escaleta. E assim o tempo passava e eu não me sentia tão só, no universo seguro e controlado do meu quarto.

Enquanto isso, outro menino assiste aulas de filosofia ou lê sobre o surgimento da medicina no mundo ocidental. Interesses aleatórios tanto quanto a curiosidade e a fome de conhecimento permitem. 

O filho mais velho volta da aula de luta e não perde a chance de me dar uma chave de braço ou de me imobilizar só pelo pulso. 

Mais tarde, dois se juntam pra fazer um som na guitarra. Pôsteres de rock e clássicos do cinema tomam toda a parede. Já fui assim!

Cada um no seu estilo, é mágico ver nossos filhos virando gente grande e descobrindo interesses e sonhos que já foram nossos. 

E assim a vida ganha algum sentido ou nos impulsiona na busca por um.

domingo, 13 de setembro de 2026

Alento

Tentativa trocentos e vinte de ficar sem redes sociais frustrada. Cada vez que pauso minhas redes é tentando fugir da política, de textos jogados na minha cara sobre psicologia e relacionamentos, de vídeos aleatórios, curtos, infinitos e de fala agoniante que muto pra aguentar. 

O que mais me incomoda é que, nos grupos, compartilha-se muita coisa do instagram e do facebook. Se saio das minhas contas, deixo de ter acesso a conteúdos, fico por fora das discussões ou sem saber de eventos, de amigos.

Por outro lado, não sofro tanto das ausências, da falta que as pessoas me fazem, do amor que poderia ter sido, do casal que poderíamos ter formado, da viagem que eu poderia ter feito. Fico livre dos produtos patrocinados, dos livros de autoajuda, dos cursos disso e daquilo, das ofertas insistentes de livros de receitas, dos posts que a gente acha que trarão dicas, quando na verdade estão apenas vendendo produtos, serviços e apps por assinatura, com acesso limitado na versão gratuita. 

Fujo dos textos alertando para os riscos de saúde de comer isso, aquilo, do estilo de vida que vai me matar, dos alertas para o fim do mundo e da humanidade pelo avanço da IA e a degradação ambiental. 

Fujo do fundamentalismo religioso e político, das pessoas terrivelmente evangélicas, da violência de tudo que é tipo. 

Largo o celular e vou ver os peixes, ouço os pássaros, caminho sob as árvores e piso nas folhas secas que tomam as calçadas. Até as sombras têm sua beleza e alento.

sábado, 22 de agosto de 2026

Jabuticaba nasce no tronco - Teatro


Adoro teatro contemporâneo, trocas de cenário na nossa frente, atores versáteis, fazendo vários papéis, com um simples toque na roupa, no gestual, postural, no sotaque, na entonação.
 
Performances e coreografias sincronizadas, cadeiras ao ar, mudanças de ambientes, num vai-e-vem temporal, nos transportando ao passado, de repente alternado com emoções do agora.

Lembranças, 
descobertas, 
sentimentos,  
trajetórias marcadas por abandono, 
acolhimento, 
encontro, 
pertencimento, 
o sofrer,
o amadurecer, 
o renascer, 
o envelhecer, 
o morrer.

Respiro fundo...
Obrigado, teatro!
Maravilhosa terapia da sacudida!

Léo Serra
São Paulo, 22/8/2026, depois de uma noite de sono intenso, ainda sob efeito do texto de Bernardo Fonseca e das performances potentes, fortes, emocionadas de Fabia Mirassos e da Cia EmVersao

(Espetáculo Jabuticaba nasce no tronco, Teatro Arthur Azevedo, Mooca/SP, de quinta a domingo até 6/9/2026).

domingo, 16 de agosto de 2026

O Motociclista no Globo da Morte

Todo humano pode se desumanizar em algum momento de sua existência, pode ter seus limites e valores colocados à prova, pode sucumbir. É então correto afirmar que é da natureza humana ser desumano?  Existiriam agravantes ou atenuantes para se cometer barbáries? O mais dócil e cordato ser humano pode ter um rompante e se tornar momentaneamente violento, movido por exemplo por um desejo de justiça e reparação? Nesse caso, igualaria-se aos selvagens ou teria sua fúria perdoada pela situação extrema?
Desde que o mundo é mundo, a violência atrai a atenção e a curiosidade das pessoas. Em tempos de redes instantâneas e índices de popularidade medidos por visualizações, curtidas e comentários, essa curiosidade mórbida e sórdida é ainda mais potencializada pela facilidade de acesso a imagens e áudios fortes, que incentivam  o consumo, a banalização e a espetacularização da violência. Infelizmente a notoriedade pela violência vira glamour. O criminoso virá star.
Qual o limite para se expor à violência e não se deixar seduzir por ela? Como poderíamos não nos deixar atrair pelo horror a ponto de banalizá-lo e de perder a capacidade de nos indignarmos, de nos chocarmos com ele? O perigo reside no fim da linha da civilidade, em que deixamos de nos horrorizar e passamos a fazer parte do horror, seja como espectadores inertes, seja como cúmplices ou apoiadores do que, de tão absurdo, simplesmente não deveria existir.
O excelente monólogo O Motociclista no Globo da Morte (com texto de Leonardo Netto, direção de Rodrigo Portella e no palco Du Moscovis) é um soco no estômago. Quem não sai do teatro desconfortável e pensativo sobre a violência e o circo de horrores diário em sociedades cada vez mais doentes ou já não é bom da cabeça ou já morreu por dentro.

Teatro Unip/DF, Deca produções, agosto/2026.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Assumo

Confesso que dá um enjoo, uma fraqueza enorme quando penso no tanto que gostei (gosto) da pessoa, que me pediu em namoro(!), que dizia que me amava, que era louca por mim, e que de repente disse que não queria mais. 
Nossos momentos juntos eram bons demais, dormíamos em paz, tínhamos uma conexão maravilhosa, eu imaginava (achei que ela também) um futuro juntos, envelhecer ao seu lado. Dá uma tristeza muito grande mesmo de pensar que tudo foi em vão, que não vou sentir nada daquilo de novo, arrasado de pensar que ela não valoriza nada daquilo que vivemos e sentimos, a ponto de simplesmente "deixar ir". 
Os momentos foram intensos, deliciosos e bonitos demais pra não terem sido verdade, ou pra se dissiparem no ar assim, de repente. Que tristeza, meu deus! 
Talvez eu devesse apenas pensar que foram apenas momentos, que não eram pra ser mais do que momentos. Efêmeros, frágeis, fugazes, instantâneos e finitos. Foram eternos em meus pensamentos enquanto duraram. 
Aparentemente duraram e doeram (doem) muito mais (demais) em mim.
Não escondo, não nego, porque sentimento precisa ser vivido, assumido. Isso é viver, por mais difícil que seja.

12/08/2026