Lamentável como o debate político no Brasil tem baixado o nível.
Depois de ver o show de insultos que foi o primeiro debate presidencial ao segundo turno das eleições 2026, chego à conclusão de que a melhor estratégia seria não deixar os candidatos livres para falarem aleatoriamente e sim fazer-lhes perguntas e avaliar se sabem responder, se sabem ouvir, se se importam com quem está assistindo e querendo conhecer suas respostas e propostas.
Quem faz monólogo ou discursa fugindo de pergunta parece uma máquina ou um ser egocêntrico sem qualquer espírito coletivo -- algo que aliás seria primordial em quem se propõe a nos representar, a gerir um país.
Antiético e desrespeitoso o oponente aparecer gesticulando em segundo plano enquanto o candidato atual presidente falava. Formato ruim do cenário, que permite essa distração estudada pelos marketeiros e muito desconfortável para quem quer assistir e prestar atenção ao que se diz.
É clara a estratégia de Flavio (sobrenome omitido para não falar do movimento que usa o nome como marca) de só fazer ataques pessoais e de fugir de todas as perguntas.
Demonstrou o mesmo talento desagradável do pai de imitar e tentar ridicularizar os outros. Ignorou solenemente tudo que lhe perguntavam e falou para o eleitor o que todos querem ouvir, treinado para trazer soluções sem explicar como viabilizá-las e prometendo coisas que dependem muito mais de leis do que de um presidente da república. A agressividade virou algo pessoal e sabemos quem foge e quem fica quando o assunto é justiça.
Flavio é o representante da turma cuja intenção é brigar, afirmar e exibir virilidade e pseudo superioridade. Com violência verbal, essa gente aposta na revolta que suscita em seus seguidores, que acabam brigando em seu nome, poupando-lhes de sujar as mãos. Exemplo disso são os coitados presos pela raiva que eles semearam nas redes.
É essa turma que discursa promovendo revolta e quebra-quebra e responsabiliza terceiros por coisas de sua autoria como as fake news que atacam a integridade e reputações há anos, vide Manuela d'Avila e Maria do Rosário, para citar apenas dois alvos.
A tática do extremismo consiste em jogar no outro atributos aplicáveis a si (corrupção, por exemplo), em criar demônios assustadores (comunismo, lgbts pedófilos, intelectuais anarquistas e perigosos) para alimentar o pânico e afastar ameaças a seu projeto de enriquecimento e poder. Ao invés de debate, apresentação de soluções, tivemos apenas troca de acusações.
Quem ignora perguntas sobre questões importantes demonstra não se importar com os eleitores e só isso já desmerece o voto.
Sobre o desafio de abrir sigilo telefônico e bancário proposto pelo atual presidente, seria fantástico se isso fosse uma obrigação permanente de qualquer pessoa ocupando cargo eletivo e gerindo orçamentos públicos. Pena que não vai dar em nada -- o desafiado logo fugiu pela tangente -- o que terá o que esconder? Seria ótimo conhecer a fundo o caminho do dinheiro que passa por essa conta que aparentemente gere recursos de múltiplas fontes, provenientes da genialidade empresarial que explicaria seu enriquecimento e o patrimônio incompatível com a renda.
A corrupção não se resolverá sem automação e real fiscalização de todos os processos de compra, venda e pagamentos com verbas públicas e a devida e severa punição a infratores.
Desejo melhor preparo, mais conteúdo, mais ética e menos sordidez nas futuras gerações de candidatos.
Torçamos apenas para que nossa soberania, nossa democracia e nossos direitos nunca sucumbam a ameaças trazidas por projetos de poder sectários, religiosos ou estrangeiros.
Ao final do debate, ouvia-se o furor de torcidas de futebol, querendo ganhar no grito o que deveria ser ganho com estudo, trabalho, ética e dignidade.
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