sábado, 22 de agosto de 2026

Jabuticaba nasce no tronco - Teatro


Adoro teatro contemporâneo, trocas de cenário na nossa frente, atores versáteis, fazendo vários papéis, com um simples toque na roupa, no gestual, postural, no sotaque, na entonação.
 
Performances e coreografias sincronizadas, cadeiras ao ar, mudanças de ambientes, num vai-e-vem temporal, nos transportando ao passado, de repente alternado com emoções do agora.

Lembranças, 
descobertas, 
sentimentos,  
trajetórias marcadas por abandono, 
acolhimento, 
encontro, 
pertencimento, 
o sofrer,
o amadurecer, 
o renascer, 
o envelhecer, 
o morrer.

Respiro fundo...
Obrigado, teatro!
Maravilhosa terapia da sacudida!

Léo Serra
São Paulo, 22/8/2026, depois de uma noite de sono intenso, ainda sob efeito do texto de Bernardo Fonseca e das performances potentes, fortes, emocionadas de Fabia Mirassos e da Cia EmVersao

(Espetáculo Jabuticaba nasce no tronco, Teatro Arthur Azevedo, Mooca/SP, de quinta a domingo até 6/9/2026).

domingo, 16 de agosto de 2026

O Motociclista no Globo da Morte

Todo humano pode se desumanizar em algum momento de sua existência, pode ter seus limites e valores colocados à prova, pode sucumbir. É então correto afirmar que é da natureza humana ser desumano?  Existiriam agravantes ou atenuantes para se cometer barbáries? O mais dócil e cordato ser humano pode ter um rompante e se tornar momentaneamente violento, movido por exemplo por um desejo de justiça e reparação? Nesse caso, igualaria-se aos selvagens ou teria sua fúria perdoada pela situação extrema?
Desde que o mundo é mundo, a violência atrai a atenção e a curiosidade das pessoas. Em tempos de redes instantâneas e índices de popularidade medidos por visualizações, curtidas e comentários, essa curiosidade mórbida e sórdida é ainda mais potencializada pela facilidade de acesso a imagens e áudios fortes, que incentivam  o consumo, a banalização e a espetacularização da violência. Infelizmente a notoriedade pela violência vira glamour. O criminoso virá star.
Qual o limite para se expor à violência e não se deixar seduzir por ela? Como poderíamos não nos deixar atrair pelo horror a ponto de banalizá-lo e de perder a capacidade de nos indignarmos, de nos chocarmos com ele? O perigo reside no fim da linha da civilidade, em que deixamos de nos horrorizar e passamos a fazer parte do horror, seja como espectadores inertes, seja como cúmplices ou apoiadores do que, de tão absurdo, simplesmente não deveria existir.
O excelente monólogo O Motociclista no Globo da Morte (com texto de Leonardo Netto, direção de Rodrigo Portella e no palco Du Moscovis) é um soco no estômago. Quem não sai do teatro desconfortável e pensativo sobre a violência e o circo de horrores diário em sociedades cada vez mais doentes ou já não é bom da cabeça ou já morreu por dentro.

Teatro Unip/DF, Deca produções, agosto/2026.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Assumo

Confesso que dá um enjoo, uma fraqueza enorme quando penso no tanto que gostei (gosto) da pessoa, que me pediu em namoro(!), que dizia que me amava, que era louca por mim, e que de repente disse que não queria mais. 
Nossos momentos juntos eram bons demais, dormíamos em paz, tínhamos uma conexão maravilhosa, eu imaginava (achei que ela também) um futuro juntos, envelhecer ao seu lado. Dá uma tristeza muito grande mesmo de pensar que tudo foi em vão, que não vou sentir nada daquilo de novo, arrasado de pensar que ela não valoriza nada daquilo que vivemos e sentimos, a ponto de simplesmente "deixar ir". 
Os momentos foram intensos, deliciosos e bonitos demais pra não terem sido verdade, ou pra se dissiparem no ar assim, de repente. Que tristeza, meu deus! 
Talvez eu devesse apenas pensar que foram apenas momentos, que não eram pra ser mais do que momentos. Efêmeros, frágeis, fugazes, instantâneos e finitos. Foram eternos em meus pensamentos enquanto duraram. 
Aparentemente duraram e doeram (doem) muito mais (demais) em mim.
Não escondo, não nego, porque sentimento precisa ser vivido, assumido. Isso é viver, por mais difícil que seja.

12/08/2026