sábado, 26 de setembro de 2026

Por um mundo com mais queijo, e menos ratos!

Não ia postar nada sobre política até ver alguém bem próximo a mim defender voto útil na direita. Se o voto útil for votar em miliciano, de fato, não dá pra me omitir. 

Que país essa gente quer? Violento como Rio de Janeiro? De pernas abertas para interesses externos? Extremista que incentiva violência e segregação de diferentes tipos? 

A direita dos altares e palanques tem raiva e nojinho de pobre, justamente porque vive a defender a prosperidade e o enriquecimento (nem sempre lícito, convenhamos) acima de qualquer coisa. 

Essa ala recente da direita defende o modelo de discurso "família, deus e pátria", sendo que esse lema é forjado em meio a escândalos abafados e crimes a torto e a direito.

Quem é verdadeiramente bom não deveria se sentir ameaçado com a ideia de ascensão social de classes historicamente desfavorecidas, não deveria ter ojeriza e ignorar a necessidade de existir luta de classes, a necessidade de cotas ou outros mecanismos que visam à redução de desigualdades. Porque pra mim parece óbvio: se alguém precisa brigar para ter direitos é porque há direitos sendo cerceados ou negados. 

Quem vive em meio a privilégios e não enxerga a dor e as dificuldades de quem está abaixo (ou à margem) não vai de fato compreender do que se trata. 

Existe fuzuê e bagunça na esquerda sim. Mas existe também trabalho incessante da direita de desmoralizar e desmerecer quem pensa mais à esquerda, quem defende direitos sociais e movimentos progressistas. 

A fábrica de violência moralista aposta no ataque das reputações e promove o terrorismo da moral, condenando tudo à esquerda como anticristão e mundano. 

O pavor com a visão e os valores progressistas cresce, motivado por esse trabalho de endemonização da esquerda como um todo.

Os cidadãos medianos, simpatizantes do tradicionalismo, acabam influenciados pelo falso moralismo e falso patriotismo ultraconservador e não param para enxergar que nunca vão enriquecer como seus ídolos, que cultuam sem questionamento, se distanciando cada vez mais de valores humanos e o que é pior: sem perceberem o tanto que são usados. 

Atacar o outro é querer empurrar goela abaixo que é melhor do que o outro. 
Ataques baixos apenas desviam o olhar de questões mais importantes. 

Existem famílias, fé e amor à pátria na esquerda e fora das igrejas evangélicas.
Mulheres progressistas têm muito mais empatia e compromisso com o coletivo do que mulheres submissas e servis, subjugadas pelos donos do dinheiro e das regras. 

Verdade seja dita: O sistema político e social nunca será igualitário enquanto a maioria masculina conservadora comandar as regras do jogo.

Seguidores manipulados nunca vão compreender que não passam de ovelhas a serviço de um sistema nada justo. 

Há vários recortes nesse sistema: social, racial, socioeconomico, de gênero, religioso. Todos se explicam pela busca cega por poder, status social e dinheiro. 

Nunca se tratou, pois, de amor ao próximo ("deus").

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Já fui assim!

Um menino ensaia os primeiros acordes no violão. Olha um tutorial na internet e me lembra meus tempos de revistinhas de cifras. Eu passava as tardes no violão, no cavaquinho, na gaita ou na escaleta. E assim o tempo passava e eu não me sentia tão só, no universo seguro e controlado do meu quarto.

Enquanto isso, outro menino assiste aulas de filosofia ou lê sobre o surgimento da medicina no mundo ocidental. Interesses aleatórios tanto quanto a curiosidade e a fome de conhecimento permitem. 

O filho mais velho volta da aula de luta e não perde a chance de me dar uma chave de braço ou de me imobilizar só pelo pulso. 

Mais tarde, dois se juntam pra fazer um som na guitarra. Pôsteres de rock e clássicos do cinema tomam toda a parede. Já fui assim!

Cada um no seu estilo, é mágico ver nossos filhos virando gente grande e descobrindo interesses e sonhos que já foram nossos. 

E assim a vida ganha algum sentido ou nos impulsiona na busca por um.

domingo, 13 de setembro de 2026

Alento

Tentativa trocentos e vinte de ficar sem redes sociais frustrada. Cada vez que pauso minhas redes é tentando fugir da política, de textos jogados na minha cara sobre psicologia e relacionamentos, de vídeos aleatórios, curtos, infinitos e de fala agoniante que muto pra aguentar. 

O que mais me incomoda é que, nos grupos, compartilha-se muita coisa do instagram e do facebook. Se saio das minhas contas, deixo de ter acesso a conteúdos, fico por fora das discussões ou sem saber de eventos, de amigos.

Por outro lado, não sofro tanto das ausências, da falta que as pessoas me fazem, do amor que poderia ter sido, do casal que poderíamos ter formado, da viagem que eu poderia ter feito. Fico livre dos produtos patrocinados, dos livros de autoajuda, dos cursos disso e daquilo, das ofertas insistentes de livros de receitas, dos posts que a gente acha que trarão dicas, quando na verdade estão apenas vendendo produtos, serviços e apps por assinatura, com acesso limitado na versão gratuita. 

Fujo dos textos alertando para os riscos de saúde de comer isso, aquilo, do estilo de vida que vai me matar, dos alertas para o fim do mundo e da humanidade pelo avanço da IA e a degradação ambiental. 

Fujo do fundamentalismo religioso e político, das pessoas terrivelmente evangélicas, da violência de tudo que é tipo. 

Largo o celular e vou ver os peixes, ouço os pássaros, caminho sob as árvores e piso nas folhas secas que tomam as calçadas. Até as sombras têm sua beleza e alento.