domingo, 13 de setembro de 2026

Alento

Tentativa trocentos e vinte de ficar sem redes sociais frustrada. Cada vez que pauso minhas redes é tentando fugir da política, de textos jogados na minha cara sobre psicologia e relacionamentos, de vídeos aleatórios, curtos, infinitos e de fala agoniante que muto pra aguentar. 

O que mais me incomoda é que, nos grupos, compartilha-se muita coisa do instagram e do facebook. Se saio das minhas contas, deixo de ter acesso a conteúdos, fico por fora das discussões ou sem saber de eventos, de amigos.

Por outro lado, não sofro tanto das ausências, da falta que as pessoas me fazem, do amor que poderia ter sido, do casal que poderíamos ter formado, da viagem que eu poderia ter feito. Mas, por outro lado, fico livre dos produtos patrocinados, dos livros de autoajuda, dos cursos disso e daquilo, das ofertas insistentes de livros de receitas, dos posts que a gente acha que trarão dicas, quando na verdade estão apenas vendendo produtos, serviços e apps por assinatura, com acesso limitado na versão gratuita. 

Fujo dos textos alertando para os riscos de saúde de comer isso, aquilo, do estilo de vida que vai me matar, dos alertas para o fim do mundo e da humanidade pelo avanço da IA e a degradação ambiental. 

Fujo do fundamentalismo religioso e político, das pessoas terrivelmente evangélicas, da violência de tudo que é tipo. 

Largo o celular e vou ver os peixes, ouço os pássaros, caminho sob as árvores e piso nas folhas secas que tomam as calçadas. Até as sombras têm sua beleza e alento.

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