Não ia postar nada sobre política até ver alguém bem próximo a mim defender voto útil na direita. Se o voto útil for votar em miliciano, de fato, não dá pra me omitir.
Que país essa gente quer? Violento como Rio de Janeiro? De pernas abertas para interesses externos? Extremista que incentiva violência e segregação de diferentes tipos?
A direita dos altares e palanques tem raiva e nojinho de pobre, justamente porque vive a defender a prosperidade e o enriquecimento (nem sempre lícito, convenhamos) acima de qualquer coisa.
Essa ala recente da direita defende o modelo de discurso "família, deus e pátria", sendo que esse lema é forjado em meio a escândalos abafados e crimes a torto e a direito.
Quem é verdadeiramente bom não deveria se sentir ameaçado com a ideia de ascensão social de classes historicamente desfavorecidas, não deveria ter ojeriza e ignorar a necessidade de existir luta de classes, a necessidade de cotas ou outros mecanismos que visam à redução de desigualdades. Porque pra mim parece óbvio: se alguém precisa brigar para ter direitos é porque há direitos sendo cerceados ou negados.
Quem vive em meio a privilégios e não enxerga a dor e as dificuldades de quem está abaixo (ou à margem) não vai de fato compreender do que se trata.
Existe fuzuê e bagunça na esquerda sim. Mas existe também trabalho incessante da direita de desmoralizar e desmerecer quem pensa mais à esquerda, quem defende direitos sociais e movimentos progressistas.
A fábrica de violência moralista aposta no ataque das reputações e promove o terrorismo da moral, condenando tudo à esquerda como anticristão e mundano.
O pavor com a visão e os valores progressistas cresce, motivado por esse trabalho de endemonização da esquerda como um todo.
Os cidadãos medianos, simpatizantes do tradicionalismo, acabam influenciados pelo falso moralismo e falso patriotismo ultraconservador e não param para enxergar que nunca vão enriquecer como seus ídolos, que cultuam sem questionamento, se distanciando cada vez mais de valores humanos e o que é pior: sem perceberem o tanto que são usados.
Atacar o outro é querer empurrar goela abaixo que é melhor do que o outro.
Ataques baixos apenas desviam o olhar de questões mais importantes.
Existem famílias, fé e amor à pátria na esquerda e fora das igrejas evangélicas.
Mulheres progressistas têm muito mais empatia e compromisso com o coletivo do que mulheres submissas e servis, subjugadas pelos donos do dinheiro e das regras.
Verdade seja dita: O sistema político e social nunca será igualitário enquanto a maioria masculina conservadora comandar as regras do jogo.
Seguidores manipulados nunca vão compreender que não passam de ovelhas a serviço de um sistema nada justo.
Há vários recortes nesse sistema: social, racial, socioeconomico, de gênero, religioso. Todos se explicam pela busca cega por poder, status social e dinheiro.
Nunca se tratou, pois, de amor ao próximo ("deus").
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