quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Escrito sem IA

Conteúdo escrito por um humano, brasileiro. Não por IA, não por um robô.

Por que achar que todas as universidades federais são antros de promiscuidade, algazarra, comunistas? São instituições com excelentes professores e cursos, onde nem todos conseguem entrar, pois precisa ter boas notas para ingressar. 

Existem faculdades particulares e institutos federais de qualidade para atender quem não entra nas universidades públicas. 

Precisamos sim é de mais programas de bolsas, investimentos privados em pessoas com potencial que não podem pagar cursos privados. Já existe a linha de crédito que empresta dinheiro aos estudantes nessa situação, mas ainda é pouco.

Devemos investir na educação -- do ensino fundamental ao ensino técnico e superior, adequando currículos ao novo cenário mundial, em tempos de IA.

Por que acreditar que o comunismo vai tomar seu apartamento, seu carro, seu dinheiro no banco? Quem fez isso nem era de esquerda, inclusive. 

Se você tem terras, cuide delas. As propriedades ocupadas pela reforma agrária devem ser propriedades improdutivas. Devemos exigir rigor no controle de como isso é feito ao invés de apenas demonizar o MST.

Por que achar que o Brasil vai virar uma Venezuela?Sendo que em sucessivos governos de esquerda isso nem chegou perto de acontecer, pelo contrário, luta-se para proteger nossas reservas naturais, nossa agricultura, nossa indústria, valoriza-se nosso país acima de outros e abre-se cada vez mais para o capital estrangeiro. 

O que precisamos é exigir mais rigor no controle de gastos e maior incentivo fiscal e tributário a produtores rurais e  empreendedores brasileiros, bem como desenvolver pesquisa, fomentar a inovação, investir na educação, na indústria brasileira e na infraestrutura intermodal para reduzir o chamado custo Brasil. E atacar a especulação bancária e os altos juros, que endividam quem não consegue viver com o que ganha.

Por que apostar fichas num candidato limitado (apesar dos diplomas), que representa o extremismo religioso e flerta, de modo cordato e submissivo, com a potência que cobiça nossas riquezas minerais, nosso petróleo? Por que os EUA estariam mandando dinheiro para "defender a democracia", sendo que no fundo o que se percebe são manobras da direita para coibir investigações de corrupção e manipular processos envolvendo simpatizantes ou "colaboradores" daquele país. 
O real interesse norteamericano não é a democracia (haja vista o atual regime de exceção), mas o mercado de armas, os minérios e  lucros que certamente não terão como destino o Brasil.

Amamos o pix e esse sistema está incomodando os EUA, pois está reduzindo o lucro das operadoras de crédito americanas. Queremos que o pix acabe?

Sempre fomos um país pacifista, com tradição na diplomacia internacional como país moderador. Por que flertar com armas? 

Não devemos sobretudo deixar pessoas imaturas emitirem opinião em nome do país, sendo que política externa e multilateralismo exigem estudo, preparo e contexto muito maior do que ideologia partidária e interesses pessoais e particulares. Não é à toa que o curso preparatório para a diplomacia exige tanto estudo.

Devemos sim combater o crime organizado, que inclui as milícias, as organizações criminosas, o narcotráfico, os traficantes de armas, e todos que lavam dinheiro sujo ou dinheiro público desviado. 

Devemos exigir punição severa a todo tipo de crime e agravação de pena para desvio de dinheiro destinado a saúde, segurança e educação.

Devemos exigir automação de processos de pagamentos e contratações públicas, com mais controle, mais agilidade e menos burocracia. Desburocratizar tudo que atrapalha os cidadãos honestos em seus negócios.

Devemos exigir maior rigor na fiscalização da destinação do dinheiro público e cortes severos em verbas de gabinete em todos os níveis (federal, estadual e municipal), assim como reduzir privilégios de ex- presidentes. Principalmente no que diz respeito a luxos, regalias e gastos absolutamente dispensáveis. 

Devemos sim exigir reforma nas estruturas onde há indicação política (acabar com isso), reforma das leis penais para não soltar bandidos recorrentes (de todos os tipos, inclusive do colarinho branco), ampliar, modernizar e tornar o sistema prisional autosustentável.

Devemos exigir reforma e modernização da estrutura fiscal, tributária. Modernização de processos produtivos e de condições trabalhistas, com base em países mais desenvolvidos, com maior PIB, maior renda per capita e melhor qualidade de vida.

Devemos sim exigir reforma política, fim do fundo eleitoral estratosférico que só beneficia alguns, igualdade de oportunidades para quem deseja exercer cargos eletivos e de fato contribuir para a sociedade, e não para quem faz da política sua vida, sua profissão, sua e de seus familiares, criando clãs políticos, eternizados no poder.

Não é demonizando o PT e trazendo o fundamentalismo religioso ao poder que vamos conseguir tudo isso. Mas exercendo nossa cidadania, exigindo do estado posicionamentos mais austeros e modernização de leis e processos. O problema não é o PT, mas o sistema que continuará ruim, mesmo mudando governos. Aliás, você já viu quantos governos de direita e de esquerda o Brasil já teve?

Em nome do horror ao comunismo, estamos querendo colocar em cheque avanços sociais, direitos civis, soberania, e fatalmente iremos  retroceder em aspectos humanos, como sociedade alegre, diversa e harmoniosa que sempre fomos, apesar dos percalços econômicos dos governos de todos os viezes políticos. 

"Em nome de deus", grande parcela da população está fechando os olhos para diversas denúncias e investigações de envolvimento da direita com o crime. Ignoram o fato de que dezenas de políticos do PL já foram cassados pelo país, por diferentes crimes de improbidade. Só isso já desabonaria essa turma.

Tenho amor no coração e não simpatizo com essa direita radical porque ela discursa para despertar e alimentar o ódio e atribui o mal ao outro, com agressividade em cada fala e gesto. Julga e condena moralmente as pessoas, mesmo que suas próprias condutas no foro privado não sejam exemplares como apregoam.

Por uma rede de grupos nos apps e de influenciadores na internet, a direita vem semeando a discórdia e a raiva entre as pessoas, desqualificando e criando ojeriza a pessoas que pensam e agem diferente. Essa doutrinação disfarçada nos vídeos espalhados pelos apps e plataformas, tem tornado a convivência entre os diferentes cada vez mais inviável no seio das próprias famílias que dizem defender.

A candidatura à presidência pelo PL não me representa nem representa pessoas simples, diversas, extratos sociais segregados, marginalizados em cada piada ou fala racista dos representantes dessa ala radical e seus seguidores. 

Eu lamento e me solidarizo quando esses segmentos  são tratados como subraça, com agressividade e menosprezo. Lamento e sofro cada vez que alguém é insultado ou agredido psicológica e fisicamente. Lamento pois também estou na mira dessas falas e não vou me omitir por viver numa bolha protegida.

Meu voto é contra o extremismo e a truculência, que o anticomunismo, o antipetismo, o antilulismo insistem em mascarar. Manipulação consentida. 

É possível ser conservador sem julgar e condenar quem é progressista. O melhor dos mundos é onde todos podem ter opiniões divergentes sem se sentirem ameaçados por justiceiros da moral à solta, batendo e matando diferentes nas ruas - e ficando impunes. Isso não é progresso. É faroeste selvagem.

Acredite na existência da maldade mascarada pelo moralismo (= hipocrisia) e desconfie do que pode estar por trás das falas excludentes, da pregação religiosa e dos jargões envolvendo deus, pátria e família. Isso impressiona e desvia a atenção das reais intenções por trás do púlpito e dos altares.

Torço para que surjam, no futuro, representantes mais dignos do que esses que aí estão para nos oferecer opção no espectro político.

Nada nem ninguém pode estar acima da nossa diversidade e humanidade.

Por mim, por meus filhos e pelos mais fracos, voto, com orgulho e consciência, contra esta direita radical.

 Outubro de 2026

sábado, 26 de setembro de 2026

Por um mundo com mais queijo, e menos ratos!

Não ia postar nada sobre política até ver alguém bem próximo a mim defender voto útil na direita. Se o voto útil for votar em miliciano, de fato, não dá pra me omitir. 

Que país essa gente quer? Violento como Rio de Janeiro? De pernas abertas para interesses externos? Extremista que incentiva violência e segregação de diferentes tipos? 

A direita dos altares e palanques tem raiva e nojinho de pobre, justamente porque vive a defender a prosperidade e o enriquecimento (nem sempre lícito, convenhamos) acima de qualquer coisa. 

Essa ala recente da direita defende o modelo de discurso "família, deus e pátria", sendo que esse lema é forjado em meio a escândalos abafados e crimes a torto e a direito.

Quem é verdadeiramente bom não deveria se sentir ameaçado com a ideia de ascensão social de classes historicamente desfavorecidas, não deveria ter ojeriza e ignorar a necessidade de existir luta de classes, a necessidade de cotas ou outros mecanismos que visam à redução de desigualdades. Porque pra mim parece óbvio: se alguém precisa brigar para ter direitos é porque há direitos sendo cerceados ou negados. 

Quem vive em meio a privilégios e não enxerga a dor e as dificuldades de quem está abaixo (ou à margem) não vai de fato compreender do que se trata. 

Existe fuzuê e bagunça na esquerda sim. Mas existe também trabalho incessante da direita de desmoralizar e desmerecer quem pensa mais à esquerda, quem defende direitos sociais e movimentos progressistas. 

A fábrica de violência moralista aposta no ataque das reputações e promove o terrorismo da moral, condenando tudo à esquerda como anticristão e mundano. 

O pavor com a visão e os valores progressistas cresce, motivado por esse trabalho de endemonização da esquerda como um todo.

Os cidadãos medianos, simpatizantes do tradicionalismo, acabam influenciados pelo falso moralismo e falso patriotismo ultraconservador e não param para enxergar que nunca vão enriquecer como seus ídolos, que cultuam sem questionamento, se distanciando cada vez mais de valores humanos e o que é pior: sem perceberem o tanto que são usados. 

Atacar o outro é querer empurrar goela abaixo que é melhor do que o outro. 
Ataques baixos apenas desviam o olhar de questões mais importantes. 

Existem famílias, fé e amor à pátria na esquerda e fora das igrejas evangélicas.
Mulheres progressistas têm muito mais empatia e compromisso com o coletivo do que mulheres submissas e servis, subjugadas pelos donos do dinheiro e das regras. 

Verdade seja dita: O sistema político e social nunca será igualitário enquanto a maioria masculina conservadora comandar as regras do jogo.

Seguidores manipulados nunca vão compreender que não passam de ovelhas a serviço de um sistema nada justo. 

Há vários recortes nesse sistema: social, racial, socioeconomico, de gênero, religioso. Todos se explicam pela busca cega por poder, status social e dinheiro. 

Nunca se tratou, pois, de amor ao próximo ("deus").

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Já fui assim!

Um menino ensaia os primeiros acordes no violão. Olha um tutorial na internet e me lembra meus tempos de revistinhas de cifras. Eu passava as tardes no violão, no cavaquinho, na gaita ou na escaleta. E assim o tempo passava e eu não me sentia tão só, no universo seguro e controlado do meu quarto.

Enquanto isso, outro menino assiste aulas de filosofia ou lê sobre o surgimento da medicina no mundo ocidental. Interesses aleatórios tanto quanto a curiosidade e a fome de conhecimento permitem. 

O filho mais velho volta da aula de luta e não perde a chance de me dar uma chave de braço ou de me imobilizar só pelo pulso. 

Mais tarde, dois se juntam pra fazer um som na guitarra. Pôsteres de rock e clássicos do cinema tomam toda a parede. Já fui assim!

Cada um no seu estilo, é mágico ver nossos filhos virando gente grande e descobrindo interesses e sonhos que já foram nossos. 

E assim a vida ganha algum sentido ou nos impulsiona na busca por um.

domingo, 13 de setembro de 2026

Alento

Tentativa trocentos e vinte de ficar sem redes sociais frustrada. Cada vez que pauso minhas redes é tentando fugir da política, de textos jogados na minha cara sobre psicologia e relacionamentos, de vídeos aleatórios, curtos, infinitos e de fala agoniante que muto pra aguentar. 

O que mais me incomoda é que, nos grupos, compartilha-se muita coisa do instagram e do facebook. Se saio das minhas contas, deixo de ter acesso a conteúdos, fico por fora das discussões ou sem saber de eventos, de amigos.

Por outro lado, não sofro tanto das ausências, da falta que as pessoas me fazem, do amor que poderia ter sido, do casal que poderíamos ter formado, da viagem que eu poderia ter feito. Fico livre dos produtos patrocinados, dos livros de autoajuda, dos cursos disso e daquilo, das ofertas insistentes de livros de receitas, dos posts que a gente acha que trarão dicas, quando na verdade estão apenas vendendo produtos, serviços e apps por assinatura, com acesso limitado na versão gratuita. 

Fujo dos textos alertando para os riscos de saúde de comer isso, aquilo, do estilo de vida que vai me matar, dos alertas para o fim do mundo e da humanidade pelo avanço da IA e a degradação ambiental. 

Fujo do fundamentalismo religioso e político, das pessoas terrivelmente evangélicas, da violência de tudo que é tipo. 

Largo o celular e vou ver os peixes, ouço os pássaros, caminho sob as árvores e piso nas folhas secas que tomam as calçadas. Até as sombras têm sua beleza e alento.

sábado, 22 de agosto de 2026

Jabuticaba nasce no tronco - Teatro


Adoro teatro contemporâneo, trocas de cenário na nossa frente, atores versáteis, fazendo vários papéis, com um simples toque na roupa, no gestual, postural, no sotaque, na entonação.
 
Performances e coreografias sincronizadas, cadeiras ao ar, mudanças de ambientes, num vai-e-vem temporal, nos transportando ao passado, de repente alternado com emoções do agora.

Lembranças, 
descobertas, 
sentimentos,  
trajetórias marcadas por abandono, 
acolhimento, 
encontro, 
pertencimento, 
o sofrer,
o amadurecer, 
o renascer, 
o envelhecer, 
o morrer.

Respiro fundo...
Obrigado, teatro!
Maravilhosa terapia da sacudida!

Léo Serra
São Paulo, 22/8/2026, depois de uma noite de sono intenso, ainda sob efeito do texto de Bernardo Fonseca e das performances potentes, fortes, emocionadas de Fabia Mirassos e da Cia EmVersao

(Espetáculo Jabuticaba nasce no tronco, Teatro Arthur Azevedo, Mooca/SP, de quinta a domingo até 6/9/2026).

domingo, 16 de agosto de 2026

O Motociclista no Globo da Morte

Todo humano pode se desumanizar em algum momento de sua existência, pode ter seus limites e valores colocados à prova, pode sucumbir. É então correto afirmar que é da natureza humana ser desumano?  Existiriam agravantes ou atenuantes para se cometer barbáries? O mais dócil e cordato ser humano pode ter um rompante e se tornar momentaneamente violento, movido por exemplo por um desejo de justiça e reparação? Nesse caso, igualaria-se aos selvagens ou teria sua fúria perdoada pela situação extrema?
Desde que o mundo é mundo, a violência atrai a atenção e a curiosidade das pessoas. Em tempos de redes instantâneas e índices de popularidade medidos por visualizações, curtidas e comentários, essa curiosidade mórbida e sórdida é ainda mais potencializada pela facilidade de acesso a imagens e áudios fortes, que incentivam  o consumo, a banalização e a espetacularização da violência. Infelizmente a notoriedade pela violência vira glamour. O criminoso virá star.
Qual o limite para se expor à violência e não se deixar seduzir por ela? Como poderíamos não nos deixar atrair pelo horror a ponto de banalizá-lo e de perder a capacidade de nos indignarmos, de nos chocarmos com ele? O perigo reside no fim da linha da civilidade, em que deixamos de nos horrorizar e passamos a fazer parte do horror, seja como espectadores inertes, seja como cúmplices ou apoiadores do que, de tão absurdo, simplesmente não deveria existir.
O excelente monólogo O Motociclista no Globo da Morte (com texto de Leonardo Netto, direção de Rodrigo Portella e no palco Du Moscovis) é um soco no estômago. Quem não sai do teatro desconfortável e pensativo sobre a violência e o circo de horrores diário em sociedades cada vez mais doentes ou já não é bom da cabeça ou já morreu por dentro.

Teatro Unip/DF, Deca produções, agosto/2026.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Assumo

Confesso que dá um enjoo, uma fraqueza enorme quando penso no tanto que gostei (gosto) da pessoa, que me pediu em namoro(!), que dizia que me amava, que era louca por mim, e que de repente disse que não queria mais. 
Nossos momentos juntos eram bons demais, dormíamos em paz, tínhamos uma conexão maravilhosa, eu imaginava (achei que ela também) um futuro juntos, envelhecer ao seu lado. Dá uma tristeza muito grande mesmo de pensar que tudo foi em vão, que não vou sentir nada daquilo de novo, arrasado de pensar que ela não valoriza nada daquilo que vivemos e sentimos, a ponto de simplesmente "deixar ir". 
Os momentos foram intensos, deliciosos e bonitos demais pra não terem sido verdade, ou pra se dissiparem no ar assim, de repente. Que tristeza, meu deus! 
Talvez eu devesse apenas pensar que foram apenas momentos, que não eram pra ser mais do que momentos. Efêmeros, frágeis, fugazes, instantâneos e finitos. Foram eternos em meus pensamentos enquanto duraram. 
Aparentemente duraram e doeram (doem) muito mais (demais) em mim.
Não escondo, não nego, porque sentimento precisa ser vivido, assumido. Isso é viver, por mais difícil que seja.

12/08/2026

domingo, 19 de julho de 2026

Sem redes!!!

Em ano eleitoral, para não ser novamente atropelado pela guerra de gregos contra troianos, resolvi fazer detox digital e não acompanhar instagram, facebook, threads, twitter, youtube e nenhuma outra rede similar. Saí de inúmeros grupos de whatsapp também. Sentindo uma sensação muito estranha de silêncio e paz, e até mesmo de solidão porque, querendo ou não, acompanhar a vida e pensamentos alheios passa uma falsa sensação de não estar só.
Tenho tido tempo para ler, me exercitar, apreciar a natureza e para pensar, ora vejam! Não sei se gosto de ter tanto tempo assim!
A vida socialmente desconectado para um geminiano é um pouco angustiante, admito. Sempre curti movimento, barulhinho bom e pessoas ao meu redor. 
Ficar sem notícias de política pode ser algo bom quando o que chega de informação revela o lado nada nobre de trocas de favores, negociações de lobby e fundos absurdos, disputas e eterna alternância no poder. Nada sobre o bem coletivo infelizmente. Por isso, ficar alheio a esse tipo de informação pode ser saudável, para esquecermos um pouco o porquê das desigualdades e da falta de oportunidades para todos. Aliás pensar em "todos" ao invés de ser um pensamento social, virou sinônimo de comunismo, um rótulo pego na origem dos regimes totalitários e opressores (algo que ainda existe, porém maquiado) e hoje usado como terrorismo e motivo de preconceito e segregação. Pensou e defendeu  o coletivo? ah você é marginal e perigoso! Perigoso para quem faz dinheiro com o sistema voltado a quem acumula riqueza e pouco se importa se isso representa manter a pobreza, a violência e tantos problemas que atingem a todos nós. Não faz sentido, mas é assim, revoltante...
Às vezes tenho vontade de comentar algo, falar sobre a vida ou divagar e não tenho o espaço que usava nas redes. Tinha virado uma espécie de agenda onde desabafava inquietudes, receios, inconformismos, sentimentos bons ou não. Mantinha contato com pessoas conhecidas com as quais não tenho link no dia a dia, não tenho o celular. Quem quiser me falar, se não tiver meu telefone, simplesmente não conseguirá me alcançar. Saudade do telefone fixo e das relações mais diretas!
Fugindo do estresse, mas também do vício de rolagem de feed, do bombardeio de publicidades e textos em sintonia com o que escrevia no whatsapp ou com trocas de reels que fazia com a namorada ou amigos inbox. Fugindo da invasão de privacidade, fugindo da superficialidade e desejando que a vida ganhe mais significado e profundidade nos contatos humanos mais diretos. Fugindo da necessidade de ver e de ser visto, porém sentindo falta de "tocar" ou "provocar" alguma reação em alguém com meus textos. O jornalismo não faz parte de minha atividade diária, porém mantinha uma satisfação em alcançar pessoas e fazê-las pensar, concordar ou mesmo discordar de mim. É uma forma de interação prazerosa, de saber que nem tudo é automatizado, IA, nem tudo são máquinas e processos anônimos e sem sentimento. 
Pessoas de carne e osso, reajam! Continuem deixando o sangue pulsar em suas veias! Não aceitem tudo que lhes impõem as leis, regras, caixinhas, maiorias, modas, trends, partidos! Que seus cérebros não atrofiem, nem seus corações se resfriem! Que ainda haja vida inteligente, intuitiva, dedutiva, sensível em cada um de nós! Amém!

Brasília, 19 de julho de 2026.

Este e outros textos passam a ser publicados em www.balaiodegatodf.blogspot.com 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Olhando para cima Tantos comentaram sobre o filme Não olhe para Cima que o jeito foi assistir. A ironia em toda a história até me divertiu, mas confesso que a realidade ali contida me incomodou, principalmente quando se descreve a que ponto somos monitorados e controlados desde 1994. Amamos toda a conectividade e interatividade, nós, brasileiros comunicativos e agregadores, mas isso nos faz presas fáceis. Viramos objetos, marionetes, mas amamos tudo isso e não ligamos. Assusta.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Sem Facebook

Brasília, 15/05/2017

Tô há alguns dias sem acessar Facebook.

Mas pera lá! Pra quem este texto irá se não for pros seguidores e amigos virtuais? Talvez seja a hora de reativar meu blog...

Ah solidão e carência de se perceber sem troca alguma de curtidas ou comentários!!! Ninguém pra ver as fotos que postamos, pra reagir a reclamações ou ideias que publicamos.

Mas como era a vida antes das redes virtuais? Deixa eu tentar lembrar: ah, nos tempos de escola, sempre tinha uma melhor amiga com quem batíamos papo horas a fio pelo telefone (com fio) e isso deixava nossos pais desesperados, pensando na conta de telefone no fim do mês. Daí criaram o "salto", aquele sinal sonoro que avisava se alguém tentasse ligar e o telefone estivesse ocupado.

Ah e tinham amigos com quem saíamos pra cinema e lanchonete. E amigos que tínhamos na rua, no prédio, pra quem se interfonava, chamando pra descer e brincar. Ou amigos de cursos, esportes que praticávamos, com quem interagíamos no cotidiano.

E tinham refeições em família, quando uns perguntavam aos outros "como foi seu dia?", "o que você tá lendo?", "como foi a novela ontem?", “como está seu namoro?”ou “por que você tá triste?”.

E não podemos esquecer aquelas saídas com a turma da faculdade ou do trabalho pra falar de política ou filosofar sobre a vida numa mesa de bar.

E fazíamos encontros regulares de família, com direito a registros em fotos Kodak ou Fuji reveladas em 9 x 12 e depois em 10 x 15 cm. Ah mas antes disso tivemos os slides, exibidos em sessões projetadas na parede da sala, com os familiares comentando sobre os lugares visitados e situações vividas.

Sabíamos uns dos outros porque convivíamos, ligávamos uns para os outros, não por compartilharmos de maneira genérica nosso cotidiano numa linha do tempo aberta a conhecidos, colegas e uma rede de contatos que nem sempre reflete nossos laços mais diretos e íntimos. Aliás, pessoas distantes passam a nos acompanhar como se fossem da família, interagindo muito mais do que nossos próprios familiares. Isso leva a refletir sobre as “famílias”que vão se formando a partir de amizades, pessoas que se aproximam por compartilharem objetivos de vida e pontos de vista.

A intimidade, aliás, deixou de ser reservada, deixou de ser íntima!!! Não existe mais!

Acostumamo-nos a dizer onde vamos, com quem estamos, o que comemos, para onde viajamos, em quem votamos ou não votamos, quem odiamos, sem nenhum pudor ou cuidado. Ninguém se importa mais se palavras magoam, se ideologias têm maior valor que amizades, elos e sentimentos entre as pessoas.

Depois de alguns dias de abstinência virtual, zonza, trêmula, desintoxicando-me de um vício mais forte do que químico. Sinto-me sozinha sem o hábito de ver a vida dos outros passar no rolar da tela, e sem falar da minha vida e assim me sentir acompanhada pelas curtidas e comentários. De pensar que há pessoas que vivem sem isso e se sentem felizes! Talvez por isso vivam em paz e sejam de fato felizes...

Decidi parar ou dar uma pausa. Vinha me sentindo sozinha pelas centenas de amigos virtuais que gostaria que fossem mais reais, mais concretos. Andava cansava da enxurrada de agressões, piadas e acusações partindo da esquerda ou da direita; das correntes de "copie e cole no seu mural"; dos dias de luto generalizado e de homenagens sem fim após a morte de cada celebridade.

Como agência de notícias não há nada mais rápido do que as redes sociais, admito. As pessoas correm pra publicar as novidades, como se fossem jornalistas dando "furos" e muitos – como eu! – se informam por ali, ao mesmo tempo em que se atualizam com o equivalente virtual à revista Caras!!!

Mas as redes também funcionam para propagar boatos e têm o devastador poder de destruir vidas e reputações. Basta um mal- intencionado postar algo contra alguém que a coisa se espalha, sem nenhuma apuração. Condena-se sem qualquer análise, antes mesmo da existência de uma acusação formal. Simplesmente denigre-se a imagem de uma pessoa apenas porque o caluniador assim decidiu e propagou. Julgamentos e inquisições da era moderna...

Para suprir a falta de contato com o mundo, passei então a buscar informações nos portais de jornalismo, que se copiam e exibem os mesmos assuntos, com manchetes ligeiramente modificadas, intercalados por fofocas e curiosidades. E, claro, repletas de anúncios que nos saltam na tela, trazendo sempre artigos relacionados a nossas buscas e pesquisas recentes. Marketing direto, indigesto, inoportuno, desagradável.

Mas as redes sociais são boas mesmo é para fazer o tempo passar. Fila de banco e espera em consultório médico agora não são mais a tortura de antigamente. "Já?!", lamentamos quando chega nossa vez e precisamos nos desligar das redes e dos grupos.

Hoje, você publica uma foto e depois fica vendo quem a curtiu. Você faz uma publicação e torce para ter centenas de curtidas e comentários. Fica monitorando cada reação a suas publicações. Narcisismo, vaidade, exibicionismo? Solidão, carência? Interesse, poder, fama? A popularidade poderia significar compensação ao vazio da vida real, ou estratégia para futuros projetos que envolvam notoriedade, atestado de vida pública, pseudo-credibilidade. Ou simples alimento para a alma, troca de ideias sobre determinado tema, debate virtual, sondagem de opinião, provocação intelectual. Diversos são os usos e fins possíveis.

Alguns usam as redes para expor sua preocupação social, inspiram o altruísmo, estimulam suas redes a se engajarem em causas humanitárias, promovem campanhas solidárias ou de conscientização sobre certos temas. Aqui entramos todos nós, inconformados com as injustiças, as desigualdades, a violência, o preconceito de todo tipo. De boas intenções as redes também estão cheias. Que bom, afinal, precisamos continuar fazendo o bem e acreditando nele!

Outros divulgam dicas de segurança – ou de sobrevivência, pois vivemos no país da impunidade e dos esquemas de corrupção em todas as esferas. Com a falta de Educação e a escassez de oportunidades, quem se profissionaliza e enriquece são os golpistas e bandidos. Devemos ficar atentos e suspeitar de tudo que nos chega por mensagens, links, sites, pop-ups, enfim, golpes chegam todos os dias. Na dúvida, não clique em nada e não compartilhe!

Ah mas de todos os usos, aquele que mais me interessa pessoalmente é poder declarar o amor, seja à mãe, ao pai, aos filhos, aos amigos, irmãos, seja à mulher ou ao homem amado. Não basta sussurrar no ouvido, na hora de dormir ou nos momentos de intimidade! Falar aos quatro cantos, estampar nas paredes e muros e se declarar amante (= aquele que ama) é muito mais legal e emocionante!

Quem escreve sente tesão em falar de amor, de paixão, de alegria, de tristeza, de dor, de prazer, de sonho, de sentimento! Escrevemos para expressar emoções e também para emocionar ou provocar alguma reação em quem lê. Como hoje não se vende livro como se vendem séries de TV ou pacotes de dados, publicamos virtualmente os textos que há tempos atrás comporiam obras literárias impressas. Mas as redes sociais teriam alguma forma de compilar e salvar os textos que publicamos, com o devido crédito do autor (nós mesmos)? Ou tudo estaria fadado ao anonimato (ou à falsa titularidade atribuída a qualquer famoso), à instantaneidade e à perenidade do virtual? Afinal, nem cinzas sobram do que não se pode tocar!

Agradeço a você que leu minhas divagações até aqui! Não precisa compartilhar! Nem curtir! Se algo lhe fez refletir ou sorrir, que ótimo! Quer me chamar para uma cervejinha? Seria ótimo! Vamos esperar surgir uma cerveja virtual de qualidade! Abração!

Marília Serra

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Chão

Não sei onde estava com a cabeça quando, um dia, me apaixonei.
Na verdade, deve ter sido ali que a perdi.

Esta é a verdade, a paixão destrói neurônios, turva a visão.
Impressionante como se fica alterado sob seu efeito.
Hoje não vivo mais isso e, assim, tenho o pé mais no chão.

Claro que era bom levitar, sonhar acordado, “viajar”.
Mas cansa não conseguir controlar as emoções.
Hoje tenho total controle da razão, mas,
cá entre nós, como é triste e chato isso, não?

Só reclamar não adianta

* Marília Serra

Morei no exterior algum tempo quando ainda era estudante. Conheci alguns países e constatei, entre outras coisas pequenas, que é possível viver de maneira organizada e que as ruas podem ser mantidas limpas, por exemplo. Basta não sujar.

Nesses países, você paga impostos altos e tem retorno na forma de transportes coletivos bons, pontuais, limpos e bem mantidos. Há retorno também em educação pública e segurança de qualidade.

Mesmo tendo vivido fora, admito que prefiro viver no Brasil, pelo clima e sobretudo pelo jeito brasileiro de conversar uns com os outros, mesmo não se conhecendo. Numa fila de espera isso faz uma diferença! Há também o aspecto flexível dos brasileiros que nos permite trocar a azeitona por picles num sanduíche, coisa impossível em países nórdicos onde pedir para alguém sair da rotina é como incitar a desordem. Se não está no cardápio, não é possível e ponto final.

Mas há brasileiros que se gabam de terem experiência internacional e vivem criticando o Brasil. “Isso é um absurdo!”, esbravejam à primeira coisa que veem não funcionar ou funcionando de modo “pouco usual”.

Não defendo a complacência, a tolerância e a conivência ante transgressões, muito menos a indiferença e a inércia ao se deparar com atos ilegais ou desonestos. Pelo contrário, sou contra quem critica e não faz nada para mudar aquilo que desaprova.
O que não suporto é conviver com pessoas arrogantes, que passam o tempo reclamando e fazendo pouco das coisas do Brasil. Que se vão, que voltem ao primeiro mundo, ora bolas!

Mas voltemos ao que não funciona aqui, porque isso tem aos montes em nosso maravilhoso país tropical de praias deslumbrantes, pessoas simpáticas, música e futebol envolventes. Há muita coisa errada, muitos atos desonestos em nosso dia a dia, gente que quer levar vantagem, que passa à sua frente numa fila, que te desrespeita sem nenhum pudor, escrúpulo ou culpa.

Na esfera política, há interesses individuais passando a todo momento por cima do coletivo. Há, por exemplo, corrupção na forma de desvios de dinheiro público que deveria ir para a saúde, educação e segurança e esse comum tipo de crime já seria passível de cadeia e punição eterna. Mas a tolerância das leis e de governantes comprometidos com o toma-lá-dá-cá entre partidos faz com que pessoas que cometem esses atos permaneçam ou voltem à vida pública, tornando nosso país um lugar pior para se viver, de fato.

Mas isso não pode ser generalizado. Nem todos são assim e nós, cidadãos corretos e honestos que trabalham e pagam suas contas, não compactuamos com essa falta de vergonha na cara.

Assim, provoco e convoco as pessoas indignadas com coisas erradas a se imporem para reivindicar direitos, a não cederem às tentações do ganho fácil e das vantagens. Dinheiro sujo (ou “lavado”) não vale a pena, pois significa financiamento da miséria e da violência que atinge a todos nós. E vantagens muitas vezes são sinônimo de desonestidade, total falta de ética. E isso ensino a meus filhos que é errado!

Vamos trabalhar e fazer de nosso país um lugar melhor para se viver, de preferência com pessoas de valor, éticas e sérias em postos de liderança. Só reclamar não adianta. Faça a sua parte e participe de movimentos de cidadania em sua vizinhança, sua prefeitura de bairro, sua rua. A mobilização faz a força e a conscientização combate vários males em nossa sociedade.


*Marília Serra é jornalista, servidora pública e acompanha as discussões da Prefeitura e do Conselho Comunitário de seu bairro.

sábado, 7 de maio de 2011

Carta aberta ao Supremo Tribunal Federal de Toni Reis*

No dia 5 de maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal votou unanimemente a favor do reconhecimento da união estável homoafetiva no Brasil. Foi dez a zero literalmente. A decisão inédita me motivou a escrever esta carta de agradecimento e reflexão. Os dias 4 e 5 de maio de 2011 ficarão gravados em nossas mentes e corações como sendo os dias em que nossas vidas mudaram para sempre e para melhor.

Além disso, é um momento de festejar e também de agradecer. Obrigado ao STF por nos ter considerado pessoas – cidadãos e cidadãs – portadores de dignidade que devem ser tratados em pé de igualdade. Nos últimos tempos alguns parlamentares e alguns religiosos homofóbicos tentaram abalar nossa autoestima, humilhando-nos com suas falas obscurantistas, arrogantes e autoritárias a nosso respeito, igual aos que achavam que a terra era quadrada e nos queimaram na fogueira. Não é mera retórica dizer que o STF lavou nossa alma. E lavou com as próprias lágrimas, cheias de emoção. Acima de tudo, o STF nos tirou do vagão de segunda classe e nos colocou no vagão de primeira classe. Ou dito de melhor forma, disse com todas as letras que, no Brasil, não existem vagões de segunda, terceira ou quarta classe. Somos todas e todos iguais!

Não estamos sós na pugna pela igualdade, dignidade e cidadania. O STF agiu de fato como guardião da lei maior, a Constituição Federal. E o melhor de tudo é que Brasil inteiro ganha com a decisão do STF. Ninguém perdeu. O Brasil ficou maior, mais belo, mais colorido, mais humano e mais feliz. O líder indiano Gandhi, se estivesse vivo, nos lembraria que uma sociedade deve ser julgada pelo tratamento que dá às minorias. O STF protagonizou um dos momentos mais emocionantes da história deste país. Pronunciou em alto e bom som um reconhecimento do Estado Laico e do Estado de Direito, de forma firme e vigorosa, assumindo papel de vanguarda, mostrando que, se por um lado ainda vale o ditado “dura lex, sed lex”, por outro a Justiça é maior do que a lei. Sendo mais justo, o Brasil torna-se também melhor, mais atual e mais humanista. E com ele também o mundo.

E o que parece ter sido apenas um passo para o Judiciário constitui-se num grande passo para a comunidade LGBT. A decisão do STF abre caminho para que, aos 60 mil casais homoafetivos recenseados pelo IBGE, se somem milhões de outros casais que ainda vivem sob o medo da chacota, da discriminação e da exclusão social.

Faz-nos recordar o processo que conduziu à libertação dos escravos. A decisão proferida em 5 de maio de 2011 representa, de certa forma, a Lei dos Sexagenários e a Lei do Ventre Livre. Mas importa agora prosseguirmos na luta para chegarmos à Lei Áurea.

Sabemos que a equiparação de direitos entre casais homoafetivos e heteroafetivos não vai, sozinha, aumentar ou diminuir a felicidade, mas ela nos dá segurança que precisamos nos momentos de infortúnio.

Felicidade é algo que todo ser humano almeja, e segundo Aristóteles é a finalidade da vida. A decisão do STF contribuiu para que ela esteja mais ao alcance de uma enorme parcela da população antes excluída, através da busca por afeto e pelo amor. Como disse o poeta Fernando Pessoa, “Importante é amor, o sexo um acidente; pode ser igual, pode ser diferente!"

O amor venceu. Para os religiosos que se posicionaram contrários, eu – como cristão – quero deixar uma mensagem muito transparente, baseada na filosofia cristã, relembrando que nós ganhamos, e vocês também não perderam. O Brasil inteiro ganhou:

“Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos, se eu não tivesse o amor, seria como sino ruidoso ou como címbalo estridente” (1 Coríntios, 13.1). Nossas relações têm amor e devem ser respeitadas.

“De fato, os mandamentos ... se resumem nesta sentença ‘Ame o seu próximo como a si mesmo.’ O amor não pratica o mal contra o próximo, pois o amor é o pleno cumprimento da Lei” (Romanos, 9-10).

“Se cumprirem a lei mais importante da Escritura: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’, vocês estarão agindo bem. Mas, se vocês fazem diferença entre as pessoas, estão cometendo pecado” (Tiago 2, 8-9).

“Não julguem, e vocês não serão julgados. De fato, vocês serão julgados com o mesmo julgamento que vocês julgarem, e serão medidos com a mesma medida com que vocês medirem. Por que você fica olhando o cisco no olho de seu irmão, e não presta atenção à trave que está no seu próprio olho?” (Mateus 7, 1-3). Todos somos diferentes uns dos outros, a diversidade humana deve ser respeitada.

Setores minoritários vão criticar a atuação do STF. Porém, o tribunal nada mais fez que exercer seu trabalho esplêndido, o de interpretar, proteger e fazer aplicar a Constituição.

A formalidade e a sisudez são marcas do Supremo Tribunal Federal, portanto não entendam isso como falta de respeito, mas nos próximos encontros faço questão de dar um forte abraço e um afetuoso beijo no rosto de cada ministro e de cada ministra. Tocaram fundo em nossos corações, trazendo uma alegria inigualável com seus votos e manifestações. A seu modo, cada um colocou uma peça que compôs ao final uma bela imagem!

Havíamos conversado com alguns membros da Corte Suprema. Sabíamos que havia propensão para a vitória, mas não imaginávamos que seria por unanimidade, uma verdadeira goleada. Nossa placar era 7 a 3, ou 6 a 4. Mas 10 a zero foi maravilhoso. 10 a zero para a dignidade, a igualdade e a solidariedade. Zero para o preconceito! “Liberté, égalité, fraternité!” Foi a queda da Bastilha em nosso país, sem que ninguém tenha ido para a forca. Os únicos perdedores foram o preconceito, o estigma e a discriminação.

O Governo Federal tem colaborado conosco há tempo, tal como o Judiciário. Mas agora será a vez do Congresso Nacional. Lá temos alguns aliados e algumas aliadas assumidos, muitos outros “no armário” e ainda um pequeno porém intransigente grupo homofóbico. É preciso que os que estão em cima do muro também venham para a arena do iluminismo e empunhem a defesa dos princípios da nossa Constituição. O STF agiu como uma lamparina e uma lanterna para o Congresso Nacional, mostrou o caminho e forneceu fartos argumentos, todos de primeira grandeza.

Afirmaram, entre muitas outras coisas, que ninguém, absolutamente ninguém pode ser privado de seus direitos nem sofrer quaisquer restrições de ordem jurídica por motivo de sua orientação sexual; que a orientação sexual de cada indivíduo não pode ser utilizada como argumento para se aplicar leis e direitos diferentes aos cidadãos; que é papel do Poder Judiciário suprir lacunas caso o Congresso Nacional, responsável por criar leis, não tenha garantido legalmente direitos civis aos homossexuais; que a união homoafetiva pode ser identificada como entidade familiar merecedora de receber proteção estatal; que todos e todas, sem exceção, têm direito a uma igual consideração; que uma sociedade decente é uma sociedade que não humilha seus integrantes; que o Brasil está vencendo a guerra desumana contra o preconceito...

O STF conseguiu sistematizar os anseios mais profundos do movimento LGBT e, por extensão, de todas as pessoas que querem um mundo onde impere a igualdade e não a exclusão social. A decisão do STF provocou um tsunami maravilhoso da cidadania brasileira, demonstrando que a ausência de lei não significa a ausência de direitos.

A vida tem a cor com que a pintamos. O STF reconheceu e afirmou que a vida e a sociedade realmente são um arco-íris, símbolo do movimento LGBT no mundo inteiro. Temos a maior parada LGBT do mundo, e ontem o STF se mostrou entre os tribunais mais avançados do mundo. Temos orgulho de ser brasileiros e brasileiras.

Em Brasília a inércia e o conservadorismo do Congresso Nacional deram lugar à agilidade, à temperança e ao bom senso, que rasgaram o papel da hipocrisia. O STF teve coragem e ousadia, sem perder o rigor no seu dever de interpretar a Constituição, enquanto o Congresso permanece inerte, salvo raras exceções.

No dia 18 de maio, por ocasião da II Marcha Nacional pela Cidadania LGBT, queremos dar um grande abraço (hetero e homo)afetivo em volta do STF e soprar para fazer os ventos que façam as luzes do STF atravessar a rua e chegar até o Congresso Nacional.

Vida longa aos que, como Martin Luther King, sonham e pensam numa sociedade em que não haja discriminação, preconceito e estigma. Vida longa à ABGLT, aos movimentos igualitários e a todos nossos aliados e aliadas.

Parabéns ao Superior Tribunal Federal do Brasil, exemplo de convicção e firmeza na defesa da plenitude da cidadania!


*Toni Reis

Professor
Especialista Sexualidade Humana
Mestre em Filosofia
Doutorando em Educação
Presidente da ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (gestão 2010-2012).
Secretário do Conselho Diretor da ASICAL – Associação para Saúde Integral e Cidadania na América Latina e Caribe
Conselheiro do Conselho Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais do Governo Federal

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Liberty Mall – abuso!

O que leva um shopping a cobrar R$6,00 por hora ou fração para o estacionamento coberto? Esse preço já é abusivo, mas espere até ouvir quanto o shopping Liberty Mall, em Brasília, decidiu cobrar por uma tal “tarifa única a partir das 19h”: R$10,00. Isso mesmo: dez reais, independente do tempo de permanência no estacionamento.

Anteontem fui fazer uma compra rápida, levei menos de meia hora e paguei dez reais, o que considerei uma afronta, um abuso, um assalto a mão armada. E olha que sempre que decido estacionar em vagas nas garagens dos centros comerciais, estou pensando em fugir do risco de ser assaltada nos estacionamentos a céu aberto...

Resultado: decidi nunca mais voltar lá enquanto estiverem cometendo este acinte! E assim boicotar as lojas e todo e qualquer profissional que tenha sala nesse shopping (médicos, dentistas, etc.). A decisão me chateia pois há lojas ótimas para comprar presentes, por exemplo. O shopping é pequeno, não é daqueles em que você se perde ou perde o carro, de tão grandes e numerosas que são as alas, e você resolve o que quer rapidamente.

O governo local deveria impor a todos os estacionamentos privados que se cobre por minuto. Um dos shoppings de Brasília começou a fazer isso certa vez e achei bem razoável.

Espero que minha indignação possa mudar algo.

M.S., jornalista, em 07 de janeiro de 2011.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Todos devotos...

Rumo ao segundo turno das eleições, em pleno dia de N. Sra. de Aparecida, os candidatos "finalistas" aproveitam a data e vão à missa, declarando-se devotos da Santa (pelo menos foi o que a Dilma fez) e tentam assim conquistar mais fiéis, quer dizer, eleitores.

Religião e política se confundem. Assim como religião e Estado. Essa confusão demonstra a falta de rigor da administração pública, que se deixa influenciar por grupos que deveriam apenas cuidar de sua espiritualidade, sem interferir em leis. Uma administração pública que, na verdade, aproveita-se dessa confusão e a usa a seu favor. Correntes evangélicas e católicas interferem na legislatura e trazem a reboque milhões de votos.

Falta seriedade e amadurecimento ao se analisar e ao se participar das decisões públicas. Almas perdidas justificam suas ações, balizando-se pelo que pregam seus pastores. E pastores interferem em decisões que, por princípio, não lhe caberiam.

No Brasil, não há Estado laico, simplesmente porque a maioria não é composta por eleitores, mas por fiéis, cordeirinhos, gente ingênua e a quem falta, em geral, esclarecimento.

Eis mais uma forma de manipulação consentida. Amém.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Breaking bad - AXN - um absurdo

15h40 - zapeando pela TV a cabo, encontro uma cena de um jovem se drogando. Era droga pesada, injetável. Não acho isso normal nesse horário. Um absurdo. Trata-se da série Breaking Bad da AXN. Por que não passam isso à noite, em horário em que não tem criança em casa zapeando sem supervisão?

E acontece o mesmo com cenas de sexo. O conteúdo diurno da TV a cabo é ao menos questionável.

Ninguém acha isso errado? Não há nada que possa ser feito? A quem recorrer? Nosso país cada dia mais se firma como uma terra de ninguém.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Queria que meu país fosse administrado por gente inteligente

2010 - Computadores vêm com leitores de Blue-Ray, gravadores de DVD.

O site da Caixa pede que se gere um disquete para validar a matrícula no Conectividade Social. Isso mesmo, um disquete.

Não pode ser um país sério...

Conectividade Social, mais um nome bonito para um programa que deveria facilitar a vida de empregadores, para dar melhores condições de trabalho a seus empregados.

Vou insistir e conseguir aderir ao tal programa, em respeito a minha empregada. Mas o governo não está nem aí para respeitar quem quer que seja.

A máxima de que cada povo tem o que merece não me sai da cabeça em tempos de eleição. Fico horrorizada com o que vejo diariamente de ignorância em pessoas mais humildes. É triste e inacreditável. Gente que nem sonha que está sendo ludibriada mandato após mandato, comprada por programa disso, bolsa daquilo.

Instrução é instrumento de evolução, de cidadania, de democracia. Pergunte aos governos recentes por quê não investiram mais em educação.

Nenhum governo que tem por objetivo implícito manter a ignorância e a subserviência do povo me convence.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Igreja dá novo tiro no pé

A Igreja católica não para de cometer gafes. Não bastasse acobertar durante anos seus padres pedófilos - com a conivência daquele que hoje responde pelo maior cargo da instituição -, seus membros vira-e-mexe dão declarações equivocadas como a feita pelo número dois do Vaticano, Tarciso Bertone, ao associar pedofilia a homossexualismo.

Pesquisas mostram que a maior ocorrência de casos de pedofilia é entre heterossexuais. Segundo o psiquiatra Álvaro Carvalho, «as pessoas com tendências pedófilas têm tendência a procurar profissões em que há uma aproximação mais provável ou segura de crianças» e, por isso, nas estatísticas internacionais, os sacerdotes em geral estarem entre os grupos com mais pessoas deste tipo.

Se a Igreja católica e as demais igrejas quiserem conquistar mais fiéis, é hora de pararem de rotular as pessoas e começarem a dar bom exemplo.

Toda vez que vou a um casamento, fico pensando como pessoas sem experiência de vida conjugal podem dar conselhos matrimoniais. Não sei como pessoas com algum estudo e percepção aceitam ouvir sermões e argumentos sem sentido, sem discuti-los.

E o mundo vai se destruindo, guiado por sermões ao menos questionáveis: de religiões que pregam o separatismo: "aqueles não são dignos"; que pregam o genocídio: "matem aqueles que representam o diabo"; que pregam o suicídio: "morram para matar o diabo"; que pregam a ganância: "doem seu salário em agradecimento pela benção e para ganhar mais e mais"; que pregam em benefício próprio: "orem, que o livraremos do pecado, em troca, deixem aqui o seu dízimo"; que pregam a ignorância: "a ciência está errada, não usem pílulas, nem camisinhas"; e que pregam a conivência, a complacência e a safadeza: "nossos irmãos pedófilos não sabem o que fazem. Vamos fingir que os afastamos, trocando-os de paróquia".

Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids

Já ouviu falar da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids - Abiaids?

Outro dia ouvi no rádio uma chamada de uma campanha para debater a doença e formas de combatê-la. Achei interessante e acho extremamente importante conscientizar a população, tentando amenizar o desserviço prestado pela Igreja.

Um detalhe me chamou a atenção: falavam em mulheres, gays e portadores da Aids como o público-alvo da campanha, excluindo da discussão um grupo que deveria ser intimado a fazer parte do movimento: homens heterossexuais puladores de cerca!

Não entrarei na discussão sobre a heterossexualidade de alguns deles, que na verdade praticam a bissexualidade e não admitem isso.

O grave, aqui, é não falar da triste realidade de homens casados que estão se contaminando, disseminando a doença e a transmitindo para as próprias esposas.

Devemos combater a cultura do "com camisinha é como chupar bala com papel". Isso é questão de educação e de responsabilidade para com a vida de terceiros. Os que não se cuidam estão colocando a vida de outras pessoas em risco. Os direitos individuais esbarram numa questão de saúde pública.

É hora de falar a verdade e de educar todos desde a infância. Educação sexual já!

Aproveito para felicitar o Ministério da Saúde pelas iniciativas de conscientização da população para a importância do uso da camisinha.